segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Comentário do amigo Edu!

TERESA E O AQUÁRIO


Fico me perguntando quem sou pra discutir teatro? Acho que ninguém, mas mesmo assim certas coisas não podem ser deixadas passar em branco e tenho que então usar de minhas vivências para poder me expressar.

Em agosto comentei aqui sobre um workshop que participei. Essa experiências, junto de muitas outras resultou no espetáculo Teresa e o Aquário, que teve pré-estréia no último sábado, 20 de Dezembro, no Teatro São Pedro em Porto Alegre.

A peça marca mudanças significativas no trabalho da Cia. Espaço em Branco, que anteriormente abordou os valores da POP-ART em Andy/Edie. Dessa vez a Cia. experimenta uma dramaturgia própria através de um processo de concepção que durou meses e só foi finalizado lá, em cima do palco.

Lisando Belotto e Sissi Venturin que em Andy/Edie interpretaram o casal Bob Dylan e Edie Segwick dessa vez fazem um mergulho profundo na relação homem/mulher. O encenador João de Ricardo pela primeira vez realiza um espetáculo inteiro sobre o AMOR, mas foge das conveniências, o que fez com que uma parcela incomodada da platéia debandasse antes do final arrebatador.

Tudo é abordado de uma forma abstrata que junta os atores em cena as projeções lúdicas capitaneadas pelo cineasta e fotógrafo Bruno Gularte Barreto. A beleza das cenas que também conta com luzes fluorescentes são imagens um tanto indescritíveis. O aquário de Teresa germina, floresce, entristece e interage diretamente com a platéia que passa pelos diversos estágios do amor, do desejo à loucura.

A melhor coisa da Arte é quando ela te convida para compartilhar experiências e conhecer novas linguagens, quando ela perturba e te faz refletir. Muito sucesso e merda para a Cia Espaço em Branco que já tem duas temporadas de Teresa agendadas para o ano que vem, no Espaço Ox e na Sala Alvaro Moreyra.

Quem sou eu?

Minha foto
Eduardo Iribarrem
Meu nome é Eduardo, tenho 20 e poucos anos, moro no RS. Sou feliz por viver na era da informação. Entre as minhas coisas preferidas no mundo estão música, cinema e internet. É isso tudo, e um pouco mais que pretendo reunir aqui no Blog. Fora isso estudo Jornalismo e sou DJ. Se por acaso alguém achar que vale a pena descobrir mais, aí vai o MSN, eduardo417@hotmail.com
http://unascositasmas.blogspot.com/

Esta crítica foi escrita pelo Renato Mendonça e será publicada amanhã em Zero Hora, estamos agradecidos =D


Lisandro Bellotto e Sissi Venturin em "Teresa e o Aquário",
foto de Marcos Nagelstein

Mergulho na memória

Foi um sábado de surpresas no Theatro São Pedro. A primeira delas, desagradável, foi o atraso de mais de uma hora na apresentação da montagem Teresa e o Aquário, algo inédito para os padrões de pontualidade da casa comandada por Eva Sopher. A razão foi um desfile de modas que precedia a peça.

A segunda surpresa, agradibilíssima, foi Teresa e o Aquário, vencedora do 8º Prêmio Habitasul de Montagem Cênica (para acessar o blog da peça, clique aqui). Ou melhor, foi Teresa, o Aquário e a disposição da Cia Espaço em Branco de explorar os limites da encenação. Os trabalhos anteriores do diretor João de Ricardo _ Extinção (2005) e Andy/Edie (2006) _ já sinalizavam elementos que ele explorou radicalmente ao longo das duas horas de Teresa...., principalmente, o uso de projeções em cena para multiplicar os pontos de vista da cena e permitir que o espectador tenha acesso a detalhes.

A partir do conto Teresa ainda Olhava para o Aquário, de Luciano Mattuella, João e seu grupo montaram uma história de Romeu e Julieta contemporânea, lisérgica e multimídia. O enredo básico: homem encontra mulher, os dois pensam que descobriram suas almas gêmeas, o par enfrenta o desgaste do dia-a-dia. O fardo de viver termina em "morte": Teresa mergulha no aquário e no sonho, seu companheiro fica paralisado por suas memórias. No final, quem diria, o amor triunfa. De alguma forma, os dois voltam para a água, para o útero, para o que é móvel e consegue mudar de forma.

Para representar isso, João esqueceu o que é o teatro tradicional. As conhecidas varas de luz sobre o palco tomaram a forma de spots no palco e de varas coloridas, portáteis e fluorescentes. Cenário: nem pensar, só imaginar. O som, criado em tempo real ao trompete, escaleta e maquininhas eletrônicas por Roger Canal, era feito às vistas do público. O próprio João estava em cena, manejando a câmera. Ao contrários do delírio verbal de Extinção e de Andie/Edie, as falas em Teresa e o Aquário são bem mais rarefeitas e agudamente confessionais, como se fossem pequenos blocos de memória boiando e se chocando no pequeno espaço de um... aquário.

Nas palavras do próprio João, Teresa e o Aquário é uma peça esburacada, que convida (ou desafia) o espectador a preencher as sugestões visuais e sonoras com sua própria bagagem. Ou seja: típico espetáculo que será amado por alguns e odiado por outros. Mas dá gosto e orgulho ver a coragem da Cia Teatro em Branco ao descartar fórmulas teatrais consagradas para contar sua história. Assumindo o risco, o grupo partiu da história para construir uma fórmula original, alheio a caminhos mais fáceis para o público e para o elenco. O espetáculo volta a cartaz em março, no Bar Ocidente, e em abril, na Sala Álvaro Moreyra.

http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&pg=1&template=3948.dwt&tp=&section=Blogs&blog=359&tipo=1&coldir=1&topo=3994.dwt

domingo, 21 de dezembro de 2008

Mais uma crítica , agradecido amigo!

Blogger Felipe V. disse...

Fui ver Teresa e o Aquário e sai mal do teatro. E ao mesmo tempo muito feliz. A impressão que eu tive é que estava diante de algo realmente novo, não novo no mundo da arte (o espetáculo é uma explosão de referências maravilhosas), mas novo aos olhares de Porto Alegre. O público, atônito em muitos momentos, saia do Teatro São Pedro a cada nova cacetada dada pelo espetáculo. A platéia foi ficando cada vez mais vazia, e o espetáculo ficando cada vez mais perturbador. E lindo! Teresa e o Aquário foi uma epopéia imagética, uma profusão pictórica de vísceras e água, algo difícil de engolir, quase impossível de digerir e que ficará na minha cabeça por muito tempo. Talvez seja um dos trabalhos que melhor define a expressão de uma amiga minha, a Mary: contemplar é um ato violento. Ousadia e beleza caminhando de mãos dadas é uma das melhores coisas que podem acontecer numa obra de arte. Lisandro, a cena em que enfrentas o trânsito é espetacular. Sissi, passei metade da peça de boca aberta. Tu simplesmente destrói. Aquela cena da vaca é um absurdo de impressionante, to pensando até agora naquilo! A luz está linda, a trilha ao vivo é incrível, os vídeos são mágicos, a direção é sensível, precisa e inteligente. Enfim, não tenho muito o que dizer senão dar os meus mais sinceros parabéns a Cia. Espaço Em Branco!


Felipe Vieira de Galisteo

  • Idade: 26
  • Sexo: Masculino
  • Signo astrológico: Áries
  • Ano do zodíaco: Cachorro
  • Atividade: Artes
http://teatrosarcaustico.blogspot.com/

Temporadas 2009!

de 11 a 25 de março, quartas-feiras às 21h: Espaço OX, Bar Ocidente
de 10 de abril a 10 de maio, sexta e sábado às 21h e domingo às 20h: Sala Álvaro Moreyra

Estreamos, uma primeira crítica!

Tereza e o Aquário


Contemplar-se

“Entra Jasão e dirige-se à Medéia (...)

MEDÉIA

Maior dos cínicos! (É a pior injúria que minha língua tem para estigmatizar a tua covardia!) Estás aqui, apontas-me, tu,meu inimigo mortal? Não é bravura, nem ousadia, olhar de frente os ex-amigos depois de os reduzir a nada! O vício máximo dos homens é o cinismo. Mas, pensando bem, é preferível ver-te aqui; abrandarei meu coração retribuindo teus insultos e sofrerás ouvindo-me. (...) Tratado assim por nós, homem mais vil de todos, tu me traíste e já subiste em leito novo! (...) Ah! Esta mão direita e estes meus joelhos que tantas vezes seguraste! Ah! Foi em vão que tantas vezes me abraçaste, miserável! Como fui enganada em minhas esperanças!... (...)

Não quero uma felicidade tão penosa, nem opulência que me esmague o coração!”

EURÍPIDES. Medéia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, (s.d.). P. 36 – 41.

________________________________________________

Há um aquário que, um dia, fica vazio porque a água toda escorre pela casa como também o amor escorre por todo o mundo quando estamos apaixonados. Há um peixe dentro do aquário que está vazio porque a água, assim como o amor, foi embora. O peixe não se convence da morte e luta contra ela. Então, encosta sua cabeça no fundo tentando respirar até que não se lembra mais de nada.

Tereza estava com cabeça no fundo do seu aquário quando Ele voltou. Ele, seu ex-marido que se foi, que não a valorizou, que partiu, que sumiu a inundar o mundo. Ele volta. Chama por ela uma vez. Quer falar. Chama outra. E outra. E outra. Ela resiste. Os dois brigam. O amor, como água se foi. Que ele também se vá.

Tereza veste um vestido branco sem nada além de branco como também é o chão. Ele veste uma calça preta sem nada cobrindo o peito. Os dois estão descalços. A luz é geral. O aquário é um balde comum cheio de água comum. Nem uma única palavra é dita.

_____________________________________________________


Eurípides escreveu Medéia em 431 a. C. João de Ricardo pré-estreou “Tereza e o Aquário” ontem. Um marido que se vai. Uma mulher que fica. Um rancor que se guarda.

O que há entre João de Ricardo e Eurípides é 2.439 anos de diferença. O que há entre nós e João de Ricardo é um caminho incerto entre o que fazemos e sentimos e o que percebemos que fazemos e o que percebemos que sentimos. Porque qualquer um pode montar Medéia hoje, mas não é qualquer um que representar a si mesmo, a sua geração, o nosso conflito. Não é da relação homem e mulher que falamos ao citar Medéia. Tampouco ao enaltecer os valores de Tereza e o Aquário, produção da Espaço em Branco. Mas é porque o cinqüentão Eurípides contou a sua versão e utilizou o seu tempo para contar a história que queria. Hoje lemos a tragédia e sentimos o século IV antes de Cristo. Agora, assistimos a “Tereza” e nos sentimos como parte de uma história no quase verão de 2008-2009. João de Ricardo, trintão, nos deixa sentir o nosso próprio tempo. Somos no palco.

Não temos regras e as que há não incidem sobre nossas decisões como outrora aconteceu com nossos pais. Os atores não definem um fim ou um início. Sissi Venturin come bergomotas (?) e Lisandro Bellotto faz nós em gravatas. Nem sempre sabemos o que dizer, nos debatemos como loucos em busca do quê e de que formas se expressar. Tereza se joga no chão, baila sobre a atriz que a interpreta. E a liberdade conquistada antes de nós nos deixa sem ideologia, imersos sobre luzes coloridas e bichos pequenos vistos como se fossem grandes. Nossos celulares tocam até mesmo quando estamos fazendo cocô, personagens de uma tragédia grega, dispostos conforme nos pedem os deuses sem que saibamos bem quais, quem e quantos são eles. Nossa visão não é/está nítida porque estamos no fundo do mar e olhamos com olhos de mergulhadores para a realidade que nos envolta.

Duas horas de um espetáculo que nos coloca como Tereza a olhar o seu aquário e ver-se no lugar do peixe. Poderia ser uma hora e meia, houvesse menos projeção e mantida a atuação no valor que já tem. Afinal, o sublime do espetáculo está nas sementes e não na árvore inteira que cresce na medida em que a água dos aquários sai.

O onírico está em contemplar-se com interesse e emoção. Palmas!

Rodrigo Monteiro

Licenciado em Letras - Português/Inglês pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos.Bacharel em Comunicação Social - Habilitação Realização Audiovisual pela mesma universidade. E mestrando em Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
http://teatropoa.blogspot.com/

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

às 20h40 será o espetáculo!


O espetáculo Teresa e o Aquário começará às 20h40!
Dia 20 de dezembro, sábado, no Theatro São Pedro.
Às 20h haverá um evento da Habitasul, com um Desfile do Félix Bressan. Ao final, o público deverá se retirar da platéia para a desmontagem da passarela. Por isso o espetáculo Teresa e o Aquário vai atrasar para às 20h40.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

cartaz


Pré-Estréia Teresa e o Aquário
20 de dezembro
sábado
às 20h
Theatro São Pedro
Apresentação Única
Entrada Franca
(às 20h os lugares livres serão liberados ao público)

fotografia


foto de Bruno Gularte Barreto

segunda-feira, 17 de novembro de 2008



http://www.zenaholloway.com

domingo, 16 de novembro de 2008

Sete Peças Fáceis


For Seven Easy Pieces Marina Abramovic reenacted five seminal performance works by her peers, dating from the 1960’s and 70’s, and two of her own, interpreting them as one would a musical score. The project confronted the fact that little documentation exists from this critical early period and one often has to rely upon testimony from witnesses or photographs that show only portions of any given performance.
The seven works were performed for seven hours each, over the course of seven consecutive days, November 9 –15, 2005 at the Guggenheim Museum, in New York City. Seven Easy Pieces examines the possibilities of representing and preserving an art form that is, by nature, ephemeral.
Script and performance by Marina Abramovic, Film by Babette Mangolte HD Cam tape 5.1 sound 93 minutes © 2007

ENTRE AQUI E VEJA O SITE DO SEVEN EASY PIECES

Sete Peças Fáceis

For Seven Easy Pieces Marina Abramovic reenacted five seminal performance works by her peers, dating from the 1960’s and 70’s, and two of her own, interpreting them as one would a musical score. The project confronted the fact that little documentation exists from this critical early period and one often has to rely upon testimony from witnesses or photographs that show only portions of any given performance.
The seven works were performed for seven hours each, over the course of seven consecutive days, November 9 –15, 2005 at the Guggenheim Museum, in New York City. Seven Easy Pieces examines the possibilities of representing and preserving an art form that is, by nature, ephemeral.
Script and performance by Marina Abramovic, Film by Babette Mangolte HD Cam tape 5.1 sound 93 minutes © 2007

ENTRE AQUI E VEJA O SITE DA MARINA

Marina Abramovic



Marina Abramovic Still from video 'The Onion' (1996)

I am tired from changing planes so often. Waiting in the waiting rooms, bus stations, train stations, airports.
I am tired of waiting for endless passport controls.
Fast shopping malls in shopping malls.
I am tired of more career decisions:museum and galllery openings, endless receptions, standing around with a glass of plain water, pretending that I am interested in conversation.
I am tired of my migrane attacks.
Lonely hotel room, room service, long distance telephone calls, bad TV movies.
I am tired of always falling in love with the wrong man.
I am tired of being ashamed of my nose being too big, of my ass being too large, ashamed about the war in Yugoslavia.
I want to go away, somethere so far that I am unreachable by fax or telephone.
I want to get old, really old so that nothing matters any more.
I want to understand and see clearly what is behind all of this.
I want not to want anymore’

Canal Da Cia. No YOUTUBE

Canal da Cia. Espaço em BRANCO no YOUTUBE, Clique- me!

Ensaios Abertos

22, 23, 29 e 30 de novembro
sábados e domingos
às 20h
Usina do Gasômetro, sala 502

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Dramaturgia Líquida - Assimiliação de Influências no Texto Teatral


Dentro das atividades previstas para o projeto Teresa e o Aquário, vencedor do VIII Prêmio PalcoHabitasul, o workshop ministrado por Diones Camargo* abordará as diversas interferências criativas presentes no processo de escrita de uma peça até a sua tranposição para a cena. Dividido em dois encontros, serão analisadas as possibilidades narrativas no teatro contemporâneo, a utilização de referências culturais na dramaturgia, o espaço do autor e a linguagem como sentido da obra.

19 e 20 de Novembro - das 18h30 às 21h30.

Teatro de Arena - Porto Alegre (51 32260242)

Inscrições gratuitas mediante envio de carta de intenção (contendo nome completo, idade e profissão) para e-mail teresaeoaquario@gmail.com até o dia 18 de outubro.


* Diones Camargo é autor de Andy/Edie (Prêmio Funarte de Dramaturgia 2005), Parque de Diversões e Elevador (Prêmio Funarte de Estímulo à Dramaturgia 2007), além de dramaturgista dos espetáculos Buarqueanas e Teresa e o Aquário (VIII Prêmio Palco Habitasul).

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Pelado no vazio.



A responsabilidade compartilhada na criação da ação. Lindo esse moço.



Teresa e o Aquário é o novo espetáculo da Cia Espaço em BRANCO, vencedor do VIII Palco Habitasul.

Estréia: 20 de Dezembro de 2008
Theatro São Pedro
20 horas – entrada franca

A Cia convida o público a participar do processo de construção do espetáculo, com as seguintes atividades:

Dramaturgia Líquida - Assimilação de Influências no Texto Teatral
Workshop ministrado pelo dramaturgo Diones Camargo*, onde serão abordadas as diversas interferências criativas presentes no processo de escrita de uma peça até a sua tranposição para a cena. Dividido em dois encontros, serão analisadas as possibilidades narrativas no teatro contemporâneo, a utilização de referências culturais na dramaturgia, o espaço do autor e a linguagem como sentido da obra. Inscrições gratuitas.

Dias 19 e 20 de Novembro de 2008 - das 18h30 às 21h30
Teatro de Arena (Fone: 51 32260242)

Inscrições pelo e-mail teresaeoaquario@gmail.com





http://www.dionescamargo.blogspot.com/

* Diones Camargo é autor de Andy / Edie (Prêmio Funarte de Dramaturgia 2005), Parque de Diversões e Elevador (Prêmio Funarte de Estímulo à Dramaturgia 2007), além de dramaturgista dos espetáculos Buarqueanas e Teresa e o Aquário (VIII Prêmio Palco Habitasul 2008).


Ensaios abertos:
22, 23, 29 e 30 de Novembro
Sábados e Domingos
Usina do Gasômetro sala 502
20 horas

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

terça-feira, 21 de outubro de 2008

In Box: Para Edie Sedgwick






Que legal!! Um dos vídeos que foi feito dentro do Andy/Edie, dirigido por João de Ricardo e Bruno Barreto, editado por Marcos Contreras, e com a Sissi Venturin performando a morte de Edie Sedgwick, foi selecionado para a Bienal Internacional de PAr em PAr de Dança do Ceará!

Confira na Programação

Dia 23/10 em Fortaleza
18. In Box: Para Edie Sedgwik (2006) – Porto Alegre (RS) – Direção e concepção João de Ricardo Composição coreográfica e intérprete Sissi Venturini Produção Cia Espaço em BRANCO Duração 2’18’’

O video In Box de Andy/Edie encontra hoje relação com Teresa e o Aquário no box de saquinhos da foto abaixo, e em histórias de dentro desta caixa molhada que surgem nos ensaios. Logo haverão ensaios abertos, a agenda estará no ar em seguida!

domingo, 19 de outubro de 2008

Cartas do S.éu para o Mar

Dessas paixões de jogar garrafas ao mar.
Elas podem bater no casco de qualquer navio,
quebrar, mudar de rumo

Mas os amantes, pendurados em nuvens,
as procuram com a ponta dos pés
Para capturarem-nas
e bebê-las

ensaio

Ele segura os cabelos dela, tentando tirar a flor que ficou presa. Ele puxa forte, mas os espinhos estão enredados. Ela pede que ele não arranque seus cabelos. Ela olha para o chão e vê os pingos. Os espinhos estão cravando seu crânio e as mãos dele. Ele diz que vai ter que cortar os fios, e faz palpites sobre quanto tempo leva para crescer. Ela diz que um ano e meio, e que nesse tempo se pode gerar uma criança. Ele pergunta se ela está grávida, a deita no chão e a abraça. Ela diz que não é uma criança, mas um peixe. "Eu preciso te contar uma coisa: me apaixonei por outra pessoa. Netuno!" "Netuno?", ele pergunta. "Quem é esse cara?". "Netuno!", ela diz, "O grande de barbas. O Rei dos mares! Tu nunca viu a foto dele nos livros e revistas?" Ele, a essa altura, arremessa cadeiras, soca o colchão e se enrola na cortina. "Me apaixonei pelo próprio mar", ela responde.

natação de notações 1

Eu vou para frente, sempre
as pessoas atrás de mim se aproximam
eu escuto o que elas falam
(pausa) e seus pensamentos

Eu vejo as pessoas ao redor
o pai vendendo guardachuvas
e o filho na rodoviária

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Catatonia

Catatonia

É uma condição psicomotora caracterizada pela perda total da iniciativa motora, postura fixa e estática (fica como um boneco de cera), juntamente com mutismo (não fala) e afastamento da realidade. Na Catatonia o paciente permanece sempre imóvel e absorto do mundo à sua volta, não come, não bebe, não controla suas necessidades biológicas. Algumas vezes pode apresentar um quadro de agitação, chamado de Excitação Catatônica, onde os movimentos são agitados, intensos, repetitivos e sem nenhum propósito.

Quando a Esquizofrenia apresenta esses sintomas, além dos sintomas típicos da psicose, chamamos de Esquizofrenia Catatônica. Assim sendo, a Esquizofrenia Catatônica é então dominada por distúrbios psicomotores chamados de Catatonia, a qual pode alternar entre extremos tais como hipercinesia e estupor, ou entre a obediência automática e o negativismo. O fenômeno catatônico pode estar combinado com um estado oniróide com alucinações cênicas vívidas. Embora a Catatonia tenha sido historicamente associada à Esquizofrenia, o clínico não deve esquecer que os sintomas catatônicos são inespecíficos e podem ocorrer em outros transtornos mentais.

sábado, 13 de setembro de 2008

Emerge


http://www.williamlamson.com

em trânsito

A casa do avô

1

(palco imerso em escuridão total. pino de luz revela homem de olhar baixo. Subitamente encara a platéia. ele fala rapidamente, entrecortado por silêncios e escuridão):

é inverno. (pausa) ele está congelando.(pausa)
ESSES FLUXOS DE TRANSITO BARULHENTO NAS NOITES CHUVOSAS DE RUSH. luzescruzantesbrancasamarelasvermelhas
buzinaços
a mandíbula se contrai
o celulartoca (pausa)
eu não sei onde vou morar. (pausa) ele pensou sem atender o telefone.
(pausa) eu não sei pra onde eu vou nesse exato momento. Só sei que vou. Eu tenho somente ido, sem saber pra onde. Meus pés afundados no acelerador. Mas nessa merda de transito nada parece realmente se mover.(pausa)
ele estava em busca de algum lugar pra ficar alguma coisa na qual se agarrar alguém pra conversar foder casar qualquer coisa uma casa um corpo um quarto de hotel um homem um irmão qualquer pessoa alguém. (pausa)
nem rádio tem pra tocar nessa merda!(pausa) roubaram meu rádio. Meu mp3 tá sem bateria. Que merda eu ter logo comprado uma bostinha dessas que ainda usa pilhas pilhas pilhas. Me roubaram vendendo essa merda. Me roubaram o rádio. Me roubam todo dia. Todo dia sendo roubado. Vontade de enfiar a cara e o carro no primeiro poste. (pausa) mas nada anda por aqui. (pausa)
os dedos dele estavam congelando, o dos pés, molhados até os ossos os das mãos enrijecidos como garras retorcidas no volante. o dinheiro ele sabia que só tinha garantido até daqui o próximo (pausa) a próxima (pausa) esquina (pausa) do próximo (pausa) ano (pausa) do próximo mês até o próximo dia hora minuto e segundo. o dinheiro corre.(pausa) o dinheiro escorre e corre solto, o dinheiro dinheiro (pausa) era preciso muito dinheiro e paciência para sobreviver nesse caos mediado pelo consumo.(pausa) sobreviver aqui sobreviver, não viver, sobreviver. Só, sobreviver, sobreviver só. (pausa)
se ao menos que ele fosse pra bem longe.onde o olhar do outro não o tocasse não. Onde o desejo não desejasse. (pausa)
ai que vontade do esse outro do olhar do toque desse outro figura impossível sem dinheiro meu coração acelera motor cheio de faíscas e barulho. Não to com tesão eu to com, com essa velocidade que me come por dentro, E ESSA PORRA DE TRANSITO NÃO ANDA!
(pausa)esse lugar onde todo fim de mês não chegassem aquelas continhas todas nojentas onde ele parasse de perder tempo discando inúmeras vezes para serviços de tele qualquer coisa que o devoravam pelos ossos entrando em filas de bancos nos quartos de motel entristecido pelas pelas ruas imundas dando adeus caminhando entrando e saindo do carro encharcado em alta velocidade sempre. (pausa)
a chuva cai pesada lá fora o (pausa) qual é o nome daquela pazinha de borracha que espalha vaievem vaievem limpando quase inutilmente tentando afastar a aguaceiro que cai no vidro? (pausa) o parabrisa para chuva para-something o para brisa é o vidro mesmo e a pazinha? ahh a pazinha maldita não dá nãooo dá conta de tanta água que cai e tanta buzina na cabeça e tanta não saber onde chegar. e ele sua ele sua vertiginoso. sua frio em meio a ESSES FLUXOS DE TRANSITO BARULHENTO NAS NOITES CHUVOSAS E FRIAS!!! E FRIAS DE RUSH luzescruzantesbrancasamarelasvermelhas
buzinaços
a mandíbula se contrai
o celulartoca (pausa)
eu não vou atender essa merda. sabe por que? (pausa) sabe por que? (pausa) eu tava cagando e segurando o celular a merdinha tocou e eu levei um cagasso e ele foi cair direto na patente. patente é privada, é vaso, ele caiu pelo meio das minhas bolotas direto na água que ja tava toda cagada. (pausa) ai que bosta, pegar ou não pegar a merdinha, não o merdão, o merdão tava ali vistoso olhando pro papai. pegar a merdinha de falar. (pausa) enfiou a mão na água suja da patente e recuperou o celular. (pausa) hoje é assim. ele toca do nada. no meio da noite e no trânsito. eu não atendo mais por que eu ja tentei atender e sabe quem falou comigo? sabe quem? (pausa)
o espírito do pantentão (pausa)
é verão (pausa)
a agua resfria o tanto de calor que faz aqui, ela escorre pelas minhas mãos miúdas e cai à toa na terra descalço sem camiseta embaixo da sombra de uma árvore que árvore dá aquelas frutinhas secas e amarelas? cinamomo, dizem que a frutinha é de veneno. a mãe e a avó estão dormindo. o avô capina o pátio como um jardim zen meio irritado mas aceitando silencioso o divertimento lodoso do neto. o avô arrastando a vassoura de ferro , de boné de borracharia e camisa xadres aberta, fazendo sulcos na terra seca cheia de folhas caídas e pedrinhas do pátio. Pinhas dos pinheiros bolotinhas dos cinamomos organizando tudo tudo no lugar. e eu enfiando minhas mãos na lama. cavando um buraco tosco e gostando de ver e tocar o barrinho liso friorento que se soltava em meio aos pedregulhos.
a lama fina por entre esses meus dedos de menino no marco da porta de entrada uma imagem de madeira e ferro de são jorge. por isso nunca entrou ninguém aqui. dizia o velhoavô sobre a velhacasa de madeiramarela com contornosjanelaseportasmarrons. a casa de pau. (pausa)
diferente do apartamento onde ele ficava resguardado de qualquer mundo durante a semana alimentado pela tv e uns terrores noturnos. sendo levado e trazido para as barrigas de intituições. a casa a escola casescola sempre e sempre até que as vezes dava vontade de chorar (pausa)
eu chorava muito triste muito triste essa manhã eu não quero ir pra escola. (pausa)
mas a casa de pau era cercada por árvores e barro. e um lagarto gordo que vivia debaixo dela, saindo as vezes com o menino para tomar sol entre aquelas infidáveis ferramentas e sucatas que os avós juntavam a anos casa cercada de outras casinhas todas de pau um beco sem saída para os carros mas livre para atravessar pro lado do tambo quando quisesse. bastava se agaxar ou pular os arames farpados. (pausa)
eu nunca ia lá. tem vacas soltas. tem cahorro. eu tenho medo. o tambo tem cabeças de cavalo de pedra grudadas na arcadas de tijolo. eu tenho medo de cachorrodevacaedecavalo. (pausa)
uma vez toquei num cavalo e me impressionei de como era quente.(pausa)
- vô eu tava pensando já que tu não usa mais a casa, se tu pudesse me alugar me dar me emprestar qualquercoisaeu te pago um aluguel simbólicoeu pago a águaaluzeainternet eu pago o que for preciso eu pago eu pagoeu ainda tenho alguma grana guardada no banco eu pago. (pausa)deixar eu moraraqui por um tempo.(pausa)
e sentiu a presença escorregadia de um fantasma na casa. uma sombra vaga as sombras não tem sexo uma sombra vibrando transparente e friorenta pelos cômodos da casa aquela presença que era sempre sentida era sentida em qualquer casa onde ele estivesse toda casa assombrada. (pausa)
causava medo na hora do lobo que todo mundo está dormindo menos eu na hora daquele passarinho que pia engraçado um galo que canta gago um galo morrendo o fantasma do galo. (pausa)
lembrou-se da entrada protegida por são jorge e a sinaleira fechou. porra. (pausa)
pra onde ir a esta hora? (pausa) quem sabe algum sexo fácil algumas doses de qualquer coisa que o deixasse louco ele estava muito longe tempoespaço daquela casa amareladepau e daquele garoto. (pausa)
ele pensou.(pausa)
sou eu que aterrorizava aquele menino(pausa)
sou eu o fantasmanavegante daquele menino a sua assombração venho desses FLUXOS DE TRANSITO BARULHENTO NAS NOITES CHUVOSAS DE RUSH. (voz decrescendo) luzescruzantesbrancasamarelasvermelhas
buzinaços
a mandíbula se contrai
o celulartoca
(quase em silêncio)
eu não vou atender não vou eu preciso encontrar algum lugar pra onde ir.
Eu não vou atender Pode ser alguém pode ser alguém eu
Eu não vou atender eu

(luz diminui, voz cessa)

ainda no trânsito.


2


(o palco ainda escuro. pino de luz mais uma vez revela um homem de cabeça baixa. subitamente levanta o olhar e encara a platéia frente a frente. fala rapidamente, entrecortando silêncio e escuridão)

o celular toca e eu atendo. (pausa)
vou enfrentar essa porra de frente (pausa)
o espírito da merda, o espírito do patentão. (pausa)
como se eu pudesse optar em enfrentar ou não essa avalanche cheia de detritos que se tornou a minha vida. como se eu tivesse opção. como se eu tivesse um cardápio engordurado de mac donalds nas mãos e pudesse dizer, número um, número um! e tudo ficasse gostoso e com molho especial. (pausa)
não(pausa)
eu sabia que quem ia me atender era o peidolho grunindo visceral, vindo sei lá de onde, o ronco dos antepassados do meu intestino. (pausa)
essa breve ilusão de escolha me fez pelo menos ter alguns segundos de delírio onde minha moral subitamente estava um milímetro menos encardidada do que está. e seremos honestos tão somente : ela está bem, mas bem, bem encardida. (pausa)
o celular toca e eu atendo mecanicamente: número um! número um!(pausa)
o celular toca e eu atendo esperando mas não era o peido nem a merda. atendo e já não estou mais ali. naquele trânsito congelante naquela noite fria de rush. atendo e uma suave voz eletrônica já vai me dizendo "você deve!" isso eu já sei. sengundo a bíliblia neguinho já nasce fodido, devendo o cu e as pregas para essa boneca deus. a boneca com o cofre mais cheio de nada desse mundo. a boneca banco de almas a barriguda maior. (pausa)
a voz eletrônica só me fala "que a conta x foi descontada no mês y que a o mês y eu tive um desconto da dívida do mês w que n mês w se somou os juros por eu não ter pago o mês z a conta z foi descontada dos dias em que estive acordado dormindo por ae, fazendo coisas sem pensar como um zumbi como num trânsito onde os carros simplesmente decidiram parar para sempre, e os homens correm uns atrás dos outros com fome com ódio com o amor em farrapos doentes de tanto cotidiano , que no ano tal eu gastei mais que devia e fiz mais do que devia e que enchi o saco de muita gente e que fui grosso e desleal, que menti e traí e fui tão péssimo no amor usando meu parceiro como embalagem de porra e que tenho 12 pecados capitais e seus reversos e sujeiras tão entranhadas na alma que nem negociando toda essa dívida com a eternidade, nem que eu sacasse todo meu dinheiro do banco, nem que eu ajoelhasse no milho, não, eu jamais teria meu nome fora do Cerasa existencial. (pausa)
e ali estava eu com o cu na mão e no volante e o celular na outra e o cigarro e a vodca e o sei lá mais o que unhas roídas e ...
as gotas de chuva foram parando lentaaaamennnteee no ar...
a pasinha que limpa o para-brisa o para-chuva o para-something parando lentamente no ar. a chuva estática como num arranjo lindo de shopping center, cheio de luzinhas e emoção os sons das buzinas engrossando lentos arrotos de sapos de outras dimensões.
finalmente as luzes apagaram, os sons silenciaram.
nenhuma cor imagem ou som.
nenhuma sensação corporal. nem meus dedos doídos pelo frio e pelas mordidas incessantes nas unhas.
nada que eu pudesse perceber por qualquer sentido nem meu carro nem a rua nem meu corpo.
nem mais a voz da telemoça
nem o espírito do patentão do zé ninguém de deus da boneca cósmica ninguém
naquela hora congelada ninguém nem nada, nem o frio agora distante e memorioso, ninguém. (pausa)
subito meus olhos são lançados a uma altura inimaginável e me vejo sobre uma superfície reta lisa negra de limites que se perdem num horizonte que mal se define ao longe uma linha imaginada no limite da visão.
a imagem se forma aos poucos (pausa)
vou botar alguma ordem nesse galinheiro! não é por que eu atendi a porra do telefone e tudo ficou preto que eu devo perder o controle. o controle o. o controle sobre mim mesmo o. sobre mim sobre o que eu falo sobre eu. sobre eu mesmo sob controle. (pausa)
vamos tentar ser racionais, calmos e racionais (pausa)
vamos falar de medidas... de tamanhos.... de materiais.
vou ser um bom professor. eu juro! já erguendo a régua na mão.
(pausa)
imaginem um círculo! assim! uma circuferência! assim, gostoso! uma laranja! assim, assim! cortada ao meio! assim! agora insiram dentro dessa circuferência, dentro da laranjinha da imaginação um quadrado! assim, bonito! todos os ângulos, as esquininhas do quadrado, que são 4, tocam a circuferência! assim! agora imaginem que essa laranja não é uma laranja, mas é o planeta terra! ahh tu não consegue é seu capenga! imagina uma lanranja do tamanho exato pra ser morida pela bonacona deus, o planeta! esse enorme plano sobre o qual eu flutuo tem o tamanho de um quadrado inserido na circuferência da terra inteira, desse planeta. simples né? sacou?
(pausa)
eu estava sobre ele onde o cima e o baixo se tocam no horizonte que imagino longe, dentro do planeta. nada de fogo lava vulcões e gente cagada chorando peidando e rangendo os dentes. Não. Dante era apenas um velho fetichista qque batia muita punheta inventando safadesas onanistas num inferno que mais parece a disney administrada pelo zé do caixão. (pausa)
dentro da terra, pessoal, não tem nada. (pausa)
é uma superfície negra, enooooooorme e vazia. (pausa)
eu eu estava lá. (pausa)
uma vertigem faz meu estômago querer pular pela boca, viva! viva! eu estou SENTINDO alguma coisa, eu estou caiiiiindoooooooo! VIVA! pra baixo pra cima eu caio lindo e em alta velocidade,até que percebo que essa superfície não é lisa não, é cheio de ranhuras é um microchip gigante, um macrochip todo negro e sulcado matematicamente, o grande quadradão do centro da terra, dividido em 4 quadrados menores e cada um se dividindo em quatro quadrados ainda menores e cada um dos menorzinhos em quadradinhos pecorruchos ainda menores e os pecorruchinhos em mínimos nenês de quadrados menores e e menores e mais e mais e mais e mais até chegar ao tamanho daqueles embriões que nem nasceram e ja viream morar aqui. ali. lá. aqui! (pausa)
As linhas, vou percebendo enquanto caio, formam avenidas principais que cruzam bem no meio. uma cruz, no meio uma encruzilhada, uma cruz. (pausa)
ou um xis, dependendo do ponto de vista. (pausa) sugestivo, muito sugestivo, mas eu nem sou católico. (pausa)
eu desço até tocar meus pés no centro do quadradão. na encruzilhada central. não pensem que ali existem muros e que eu estava num labirindo nem nada. não. quando toquei meus pés no chão percebi que as ranhuras que via de cima era apenas divisões entre blocos de granito negro ou mármore negro, muito baixos, como caixões organizados ao infinito, baixinhos e retangulares de... aquilo me parecia um mármore negro ou granito ou mármore mesmo mas sem aqueles rajadinhos no meio, pura pedra preta e lapidada, igual ao chão, tudo do mesmo material, um megalochip negro e gigantesco.
(pausa)
ai que bosta! só me faltava essa! to fodido! to doente da cabeça! comi merda me internaram me doparam e não me avisaram. melhor, joguei pedra na cruz, matei meu pai e comi minha mãe como todo bom otário criado num divã. analisado e catalogado. mórbido. perverso e infatil. não não. simplesmente atendi o telefone no trânsito louco e vim dar nesse lugar. (pausa)
uma paisagem existencial cemiterial de escala cósmica. um labirindo de vias retas. onde ninguém escapa por que não há ninguém. é um monumento, sei lá. mas eu posso sair. se eu me lembro bem, seguindo qaulquer uma dessas 4 avenidas que se perdem no infinito um dia eu chegarei nas bordas...um dia saio.
e fui andando por entre as... lápides? pareciam lápides, não lápides, pedras de túmulos, não sei, sem isncrições sem nada, todas iguais, baixas negras espaçadas matematicamnete até perder de vista.
(pausa)
caminhar rápido e não olhar pros lados é o que eu tinha aprendido em uma vida inteira morando na selva da cidade, se corrrer o bicho pega e se ficar o bixo come. como meu pinto naquela de chuva torrencial tinha congelado e regredido a uma proto-vagina e a premissa de uma boa foda só me remetia a lugares escuros onde pessoas imundas grudam-se como sanguessugas vigolentas eu resolvi nem correr nem correr nem andar mas seguir em frente sem olhar e sem pensar só seguir em frente. (pausa)
to cansado. vou deitar numa dessa caminhas. elas tem um tamanho perfeito pra deitar. deitar fechar os olhos e descançar. são caminhas de pedra distribuídas ao infinito, aqui deve ser o dark room da existência, o ponto final de qualquer viajante.
(pausa)
foi quando percebi que em cada retangulinho nascia uma caveira e logo toda paisagem estava tomada de ossos, deu pra perceber o drama. o cenário desolado agora parecia mais o clipe do triller, caveiras de todas os tamnahos cores e formatos vinham em minha direção emargindo das tumbas, vindo em minha direção. sai correndo e elas vieram pra cima com tudo, saltos longos, dentres pontiagudos olhos cavados fundo, as falanges expostas, punhalaço no peito. escuridão.
(pausa)
um cheiro de cachorro molhado, abro os olhos frente a um colosso orgânico que respira e se contrai , pela de feltro cinza desses de embalar mendigos peludo e pulsante. essa meus senhores é a vênus do undergroud. ela ta parindo um filho. a vênus nem tem rosto mas tem barrigas e tetas e pêlos. ela come lentinhas e aumenta de tamanho. a vênuasalimenta seu feto morto ela cresce seu bebê ela vai parir pra mim. a buça negra vai se abrindo e deixa antever o cabeção.
"alô alô, você deve! DEVE!"
(pausa)
o celular toca
a mandíbula se contrai.
a chuva cai infernalmente nessas noites nojentas e chuvosas da hora do rush.
piso no acelerador mas o trânsito está parado.
o celular toca
eu não voue atender essa porra não.
eu não vou atender pode ser algúem indo pra algum lugar eu não vou não.
o celular toca as luzinhas brancasamarelasvermelhasasbuzinas
não vou atender não
não vou atender eu

(luz baixa, escuridão)


Outras regiões Abissais

Ainda sobre a oficina aberta da "Teresa e o Aquário"

Eu queria ouvir tu falando bem perto da minha boca pra sentir o cheiro do teu hálito. Te cobrindo e acariciando com meus olhos. Tocando na textura quente - maleável do teu rosto. Os odores do pescoço, doce doce doce , as rachaduras da pele levemente esbranquiçadas. Eu enxugo as tuas lágrimas e sinto sede. Imagino como seria o gosto dessa lágrima brilhosa com transparêcias coloridas pelas luzes das florescentes. Eu te provoco um sorriso à força e misturo lágrimas- minha pele- tua boca. Faço piadas pra te ver sorrindo só mais uma vez, e tu decide ir embora.
- FICA... FICA! FICAFICAAA! Mas tu some pelos portais.
Agora eu fico imaginando tu falando bem perto da minha boca pra eu poder sentir o gosto do teu hálito aquecido por dentro. Te envolvendo num campo de força com meus olhos. Cada detalhe teu me conforta. Me faz sentir mais vivo pulsante. Vontade de ser eterno, não cabendo mais no corpo - frágil embalagem de tudo aquilo que me contém. Imaginando os meus lábios descendo pelo teu pescoço, por entres as minúsculas dobras brancas da pele. Eu sentindo cada gota de lágrima adocicando minhas gengivas. Imagino piadas só pra te ver sorrindo mais uma vez, porque quando tu começa a sorrir eu me dissolvo completamente... nada se compara a esse momento fortuito, efêmero da tua boca se abrindo num desenho mágico, assustador.
É bom estar vivo.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Texto do edu em seu log sobre o workshop!

Na última sexta-feira, 1º, rolou no DAD em Porto Alegre um Workshop do espetáculo Teresa e o Aquário, que tem estréia prevista para dezembro no Theatro São Pedro. Juntos, pela manhã assistimos a uma série de performances que mais tarde serviria de base para a oficina de Teatro coordenada pelo encenador João de Ricardo. Respirávamos em nossos balões de oxigênio o mesmo ar e voltávamos a infância, época em que vivemos intensamente nossas brincadeiras e passamos a crer piamente nelas. As projeções nas paredes serviram de apoio para nos transportar a universos aquáticos e estéticos e o auxílio de alguns objetos nos levavam a coisas abstratas e irreais, fita crepe amarrada no corpo, virou cordão umbilical ou tentáculos, por exemplo. Teresa e o Aquário é um projeto líquido, que vai se modelando de acordo com as vivências de seus realizadores, e essa sem dúvida foi uma experiência inclusa nisso. Dentro desse aquário, cada participante da oficina pôde experimentar sensações, ganhar novas vidas e transcender o mundo exterior. O novo espetáculo da Cia. Espaço em Branco(Andy/Edie, Extinção) coloca novamente juntos em cena Sissi Venturin e Lisandro Belotto, que anteriormente interpretaram o casal Edie Sedgwick e Bob Dylan. O projeto também tem um blog onde podem ser encontradas mais informações. Depois de estar de certa forma dentro disso tudo me resta agora, aguardar ansioso pela estréia nos palcos.

*foto by Bruno Gularte Barreto

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

workshop - fotos de Bruno Gularte Barreto









o encontro de sexta feira foi incrível! Obrigada aos amigos que estiveram para mergulhar! Éramos Aline, Bruno, Diones, Eduardo, João, Lisandro, Fernanda, Carol, Luciano, Marco, Duda, Wander só pela manhã e eu. Vamos marcar outros...

segunda-feira, 28 de julho de 2008

WORKSHOP!

WORKSHOP!

A Cia Espaço em BRANCO está desenvolvendo o projeto teatral Teresa e o Aquário, vencedor do Palcohabitasul 2008.
-- Projeto Desmontagem Cênica --
O Workshop "Processos Criativos na Cia. Espaço em BRANCO" será um espaço aberto para troca de experiências entre a Cia. e os espectadores, colegas, amigos e interessados. Ele ocorrerá durante dois turnos, tendo como propositor o encenador João de Ricardo. O primeiro será uma atualização sobre os caminhos e processos que a Cia. vem desenvolvendo nos últimos anos e no segundo momento teremos o prazer de construir coletivamente o primeiro recorte vivo do espetáculo que estamos montando: Teresa e o Aquário.
As inscrições podem são feitas pelo email

teresaeoaquario@gmail.com

pedimos uma pequena carta de intenção, nome , idade e profissão. As vagas, por motivos de espaço, estarão limitadas a 15 inscritos.

a programação do ano além de material referencial do processo está em
www.teresaeoaquario.blogspot.com
o workshop ocorrerá sexta-feira, dia 01 de agosto, das 09h às 12h e das 14h às 18h, gratuitamente.
Por favor, divulgue para seus amigos ou pessoas que possam ter interesse em participar. Obrigado!

Um aquário despedaçado.

Dia 1

chegar em casa
fixou seu olhar
não havia modo de tirar Teresa da frente daquele aquário
Sentei ao seu lado carregado por uma espessa camada de dia-a-dia colhida lá fora
A gravata me apertava a palavra que insistia em desistir na minha garganta.
Desfiz o nó, o aperto restou
Beijei a testa de Teresa
Olhei para nada encontrar no aquário
Chamei Teresa pelo nome três vezes
Fui para o banho fazer-me água para que Teresa me olhasse

dia 2

trouxe flores
uma tentativa de suicídio
Nem eu sabia como o olhar de Teresa ainda não tinha se afogado naquele aquário
Coloquei as rosas sobre as pernas daquela estátua de silêncio e silêncio
Esperei
Desfiz-me num pranto leve e amortecido pela fumaça de um cigarro
pedi que a empregada dissesse algo
Deixei a empregada falando sozinha
Fingi
Fingi
Fingi
Jantei sozinho
a voz eletrônica da televisão desfez tudo o que ainda me era humano
meu corpo sentia saudades do dela

3 dia

Seu peito respirava – que não era mais ela, mas o peito dela
o olhar de medusa de minha esposa
os peixes que petrificavam Teresa
Passei a mão pelos seus cabelos de pedra
Quis beijá-la, a palavra aprisionada na minha garganta não permitiu
o escravo débil e estúpido de uma mulher de pedra
A empregada, com o espanador, limpou
encontrou o meu olhar reprovador
Pedi que se retirasse de minha casa e nunca, nunca mais voltasse.

no 4 dia...

cheguei em casa acompanhado de Paula
não gostou do aquário lembra coisas da minha mãe
não deu por conta que Teresa se fazia pedra ali, no meio da sala
Perguntei se ela queria tomar algo, pediu-me um copo de suco de laranja
tomei um copo de uísque
caí no sofá e adormeci
Acordei com Paula a me beijar o pescoço e me dizer coisas de mulher vivida no ouvido
Fiz de Paula uma Teresa
Teresa adquiria já uma cor azulada fingida de cinza, a cor de um barco cujos marinheiros já tenham se calado
adormeci o resto de noite e preparei-me para ser um resto de homem no dia inteiro


5 dia

Na manhã seguinte, deixei Paula dormindo e fui trabalhar
Paula me disse já ter arrumado um pouco as coisas
Vi ao redor do aquário um punhado de peixes mortos, Paula não teve coragem de tirá-los dali
Fui tomar banho
vi que ela estava cozinhando algo
batia com força em dois pedaços grandes de bife
Assisti ao programa de esportes tomando mais um copo de uísque, meu terceiro no dia.
Jantei solitário, novamente eu e Paula
Cuidei se as portas estavam fechadas
tranquei as janelas
transei com Paula na mesa da cozinha
dei comida para o cachorro na rua
fechei a torneira do banheiro que insistia em pingar
Sonhei com peixes e com um mar bravo
sonhei com a palavra que se desfazia em meu de dentro
Quando acordei no dia seguinte, não lembrava nem da palavra nem do mar, mas tinha um cheiro de maresia nas palmas das mãos.
percebi que ela tinha esquecido o martelo de bife em cima da mesa
Não me dei ao trabalho de guardar

dia 6

Voltei do trabalho cansado
eu queria aproveitar a noite
Paula me esperava com duas velas acesas sobre a mesa da cozinha, dois filés ao molho madeira e uma garrafa de vinho tinto aberta
Beijei-a como nunca
cheirei seu cabelo
mordi de leve o seu lábio inferior
Ela serviu-me de vinho
Comi com a tranqüilidade da resignação, os braços frouxos de tanto esquecer
Paula contou-me do seu dia de mulher de casa
de assistir televisão
de ler um romance barato
de conversar com os vizinhos
de pensar em ter filhos
Paula tinha arrumado algumas coisas
A nova empregada varreu para fora de casa os estilhaços de Teresa

o conto de mattuella : magneto narrativo - lírico do projeto

Teresa ainda olhava para o aquário

Ao chegar em casa

, percebi que Teresa ainda olhava para o aquário.

Pediu-me, de presente de aniversário, um aquário de peixes coloridos. Logo fixou seu olhar num peixe pequeno, talvez o menor, vermelho com algumas pintas em preto. Como que tingido. Desde então não havia modo de tirar Teresa da frente daquele aquário, seu presente.

Ela ainda vestia o pijama azulado – puído nas pontas de tanto me desamar à noite -, os cabelos soltos sobre os ombros entristecidos. Os cabelos também de pontas puídas de tanto peixe a se fazer olhado. Sentei ao seu lado carregado por uma espessa camada de dia-a-dia colhida lá fora, na rua de um trabalho que me amedrontava. Dinheiro para Teresa, para dar presente à Teresa.

A gravata me apertava a palavra que insistia em desistir na minha garganta. Desfiz o nó, o aperto restou, como uma cólera que não tem vez de sair. Beijei a testa de Teresa, meus lábios imundos de poluição e cansaço deitando no aroma de sabonete de minha esposa. Olhei para nada encontrar no aquário, apenas peixes. E o vermelho era o mais sem graça.

Chamei Teresa pelo nome três vezes. A quarta tentativa perdeu-se numa mistura de tristeza e fim de dia. Fui para o banho fazer-me água para que Teresa me olhasse.

Dormi sozinho.

No dia seguinte

, trouxe flores para Teresa. Três rosas vermelhas: tive o cuidado de tirar os espinhos. As pétalas amarronadas nas pontas delatavam uma tentativa de suicídio. Nem eu sabia como o olhar de Teresa ainda não tinha se afogado naquele aquário. Coloquei as rosas sobre as pernas daquela estátua de silêncio e silêncio. Esperei.

Nem olhar, menos palavra. Desfiz-me num pranto leve e amortecido pela fumaça de um cigarro que eu tinha fumado ali fora. Que Teresa me odiava fumante, me odiava amante. Coisa a fazer não me passava pela cabeça, pedi que a empregada dissesse algo:

“[ pela manhã vassoura pela casa, pela tarde tirar o pó dos móveis e à tardinha ver um pouquinho de novela que também não se é de ferro nem menos de aço, não é, doutor? ]”

Deixei a empregada falando sozinha, fingi que a escutava. Fingi. Fingi que minha esposa olhava para mim e perguntava se eu queria suco ou leite. Fingi que tinha derramado um pouco de suco no chão, esperando que ela risse do meu modo desajeitado. Tirar o pó. De onde mesmo? Tirar o pó dos móveis. E minha esposa, imóvel?

Jantei sozinho, olhando o jornal de três dias que ainda insistia sobre a mesa. Pensei chamar a empregada, desisti: a voz eletrônica da televisão desfez tudo o que ainda me era humano. Senti o perfume de Teresa, mas era só lembrança: meu corpo sentia saudades do dela.

No terceiro dia,

Teresa estava ainda mais quieta. Seu peito respirava – que não era mais ela, mas o peito dela – na lentidão cadenciada pelo mundo à sua volta. Os peixes, agora pareciam tantos, como se fossem multiplicando dentro do aquário. Eram muitos, demais, pequenos corpos se esfregando e se debatendo uns contra os outros em busca de. Em busca de quê? Do olhar de medusa de minha esposa? Ou os peixes que petrificavam Teresa?

Passei a mão pelos seus cabelos de pedra. Em sua face, uma única lágrima dura e gelada tinha escorrido até quase chegar ao lábio. Quis beijá-la, a palavra aprisionada na minha garganta não permitiu. Eu era o escravo débil e estúpido de uma mulher de pedra.

A empregada, com o espanador, limpou os vasos sobre a mesa, as cadeiras de madeira, a mesinha do aquário. Estava a meio movimento na direção de Teresa quando encontrou o meu olhar reprovador. Pedi que se retirasse de minha casa e nunca, nunca mais voltasse.

“[ mas doutor, a senhora não volta mais pra essa vida, não. ]”

Fiz um sorriso estilhaçado em meus lábios.

No quarto dia

, cheguei em casa acompanhado de Paula, uma antiga amiga. Paula não gostou do aquário,

[ lembra coisas da minha mãe ],

e quase não deu por conta que Teresa se fazia pedra ali, no meio da sala.

Perguntei se ela queria tomar algo, pediu-me um copo de suco de laranja. Com muito gelo. Por minha vez, tomei um copo de uísque. Fiz-me amargo e silencioso, caí no sofá e adormeci o sono dos ingratos.

Acordei com Paula a me beijar o pescoço e me dizer coisas de mulher vivida no ouvido.

Fiz de Paula uma Teresa e, por aquela noite ao menos, fui feliz como há algum tempo não era. Os peixes seguiam aumentando de número, mais um pouco transbordariam pela borda do aquário. Teresa adquiria já uma cor azulada fingida de cinza, a cor de um barco cujos marinheiros já tenham se calado.

Solitário, eu e Paula, adormeci o resto de noite e preparei-me para ser um resto de homem no dia inteiro que tinha pela frente. Na manhã seguinte, deixei Paula dormindo e fui trabalhar.

Na volta para casa

, Paula me disse já ter arrumado um pouco as coisas, tudo parecia limpo e a louça estava lavada. Vi ao redor do aquário um punhado de peixes mortos, Paula não teve coragem de tirá-los dali. Fui tomar banho com o sabonete que Paula tinha comprado.

Ao passar pela cozinha, vi que ela estava cozinhando algo, batia com força em dois pedaços grandes de bife. Assisti ao programa de esportes tomando mais um copo de uísque, meu terceiro no dia. Jantei solitário, novamente eu e Paula.

Cuidei se as portas estavam fechadas, tranquei as janelas, transei com Paula na mesa da cozinha, dei comida para o cachorro na rua e fechei a torneira do banheiro que insistia em pingar. Sonhei com peixes e com um mar bravo, sonhei com a palavra que se desfazia em meu de dentro. Quando acordei no dia seguinte, não lembrava nem da palavra nem do mar, mas tinha um cheiro de maresia nas palmas das mãos.

Paula continuava dormindo. Ao passar pela cozinha, percebi que ela tinha esquecido o martelo de bife em cima da mesa. Não me dei ao trabalho de guardar.

Voltei do trabalho cansado

, era sexta-feira e eu queria aproveitar a noite. Paula me esperava com duas velas acesas sobre a mesa da cozinha, dois filés ao molho madeira e uma garrafa de vinho tinto aberta. Beijei-a como nunca havia feito de ninguém tão mulher, cheirei seu cabelo de menina crescida e mordi de leve o seu lábio inferior.

Ela serviu-me de vinho. Comi com a tranqüilidade da resignação, os braços frouxos de tanto esquecer. Paula contou-me do seu dia de mulher de casa, de assistir televisão, de ler um romance barato, de conversar com os vizinhos, de pensar em ter filhos. Paula tinha arrumado algumas coisas.

A nova empregada varreu para fora de casa os estilhaços de Teresa..

Chemical Brothers

Os irmãos químicos adoram uma água!

sábado, 26 de julho de 2008

vitto aconcci


os perturbadores acionistas de viena


Carolee Schneemann



Eu e o Rô estaremos lá!!!!!

O Grupo Performático AcompanhiA convida a todos os interessados para a realização do:

IV Festival de Apartamento
"Sechiisland (em Campinas)"
(mais detalhes sobre o primeiro, segundo e terceiro)

Um evento de Performance Art,
com as apresentações confirmadas das performances:

Sorvênus
do Grupo AcompanhiA,
com José Roberto Sechi, Rodrigo Emanoel Fernandes,
Ludmila Castanheira e Thiago Buoro;

Infanto

Estranho, eu não sou Hamlet
de Flávio Rabelo;

mel-o-drama
de Thaíse Nardim;

Memória Velada
de Gilio Mialichi;

Casulo n.º 1
de João de Ricardo;

Desde la peninsula a la isla

de José Roberto Sechi & Viviandran (Chile);

In progress
de Isabella Santana;

(Observação: Não necessariamente nessa ordem)

Sábado, dia 9 de Agosto de 2008, às 20 horas,

Rua Olyntho de Barros, 94, fundos,
Barão Geraldo, Campinas/SP.

O homem no bueiro


O homem enfaixado brilha na luz, e seu reflexo é multiplicado pelas placas espelhadas ao seu redor. Como um rato de labortatório ele é calmo e obediente. Está sendo estimulado e inspecionado pelos observadores que comparam sua ossadura com os esqueletos de ruminantes e humanos. Ele está deitado enquanto seus pêlos são colados com fitas durex. Os espelhos o refletem e ele pode acompanhar toda a cirurgia admirando e tocando-se. Ele ainda pode respirar ou falar, mas se mantém calado. Quando finalmente é liberado grunhe de dor por ter as faixas descoladas, dança nu, e salta pela janela, surpreendentemente.

Uma história rasa

De repente a sala estava toda molhada, o tapete, o quarto, a cozinha, o chão todo estava encharcado. E no meio da sala estava o peixe se debatendo. Ela encontrou o aquário caído no chão com apenas um pouco de água dentro, um ou dois centímetros de altura de água.
A torneira vazia, nem um pingo, não havia água no chuveiro nem no vaso sanitário. Estava tudo vazio e a água no chão penetrando no concreto, na madeira, nos tecidos, pingando na cortina.
Ela pegou o peixe e o colocou na palma da mão.
Ele sabia que faltava pouco. Ele já não conseguia respirar e sufocava aos poucos. Ela achou melhor colocá-lo no pouco de água do aquário para que pelo menos sua pele não ressecasse. Ela ainda empurrou a cabeça do peixe no fundo do recipiente para que ficasse submerso, mas a água não era suficiente. Ele pensou que faltava muito pouco para que tudo aquilo acabasse, e lembrou de tudo que desejava e sonhava e que gostaria de ter dito e não disse, e do que gostaria de ter feito. E agora ele sabia que a qualquer momento tudo seria diferente, ou nem seria mais. E a voz dela ficava longe e lenta, e ele já não sabia se estava ali a horas, dias ou um minuto, porque nunca um minuto foi tanto tempo para saber de tanta coisa. E seu corpo não sacudia mais e ele decidira apenas relaxar a cauda e as barbatanas e manter os olhos abertos. Houve o momento então em que sua última inspirada involuntária travou as brânquias e ele pôde sentir seu coração palpitar lentamente e quase se força por mais duas vezes, e agora sentia pela última vez a água tocar suas escamas na metade submersa de seu corpo e pela última vez viu a garota pelo reflexo do vidro e pela primeira vez gostou de estar dentro do vidro e tê-la por perto, quando então esqueceu de tudo.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

A Cia. Convida!

O Workshop "Processos Criativos na Cia. Espaço em BRANCO" será um espaço aberto para troca de experiências entre a Cia. e os espectadores, colegas, amigos e interessados. Ele ocorrerá durante dois turnos, tendo como propositor o encenador João de Ricardo. O primeiro será uma atualização sobre os caminhos e processos que a Cia. vem desenvolvendo nos últimos anos e no segundo momento teremos o prazer de contruir coletivamente o primeiro recorte vivo do espetáculo que estamos montando: Teresa e o Aquário.
As inscrições podem são feitas pelo email

teresaeoaquario@gmail.com

pedimos uma pequena carta de intenção, nome , idade e profissão. As vagas, por motivos de espaço, estarão limitadas a 15 inscritos.

o workshop ocorrerá sexta-feira, dia 01 de agosto, das 09h às 12h e das 14h às 18h.

Verbo - outra reportagem



interessante notar como a reportagem sob o pretenso intuíto de "comunicar" a todos, reduz as potências dos eventos. o que o entrevistador pergunta para as pessoas é , sendo super bonzinho, banal. "ganhou um moitará, e ai, ta feliz?"

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Tunga - Teresa - Desempenho



Engraçado a Sissi achar os cabelos da abramovic após a experiência de ontem. Engraçado eu me lembrar das tranças do tunga, que são cabelos e acabar achando essa ação dele, que se chama teresa. teresa é o nome da corda feita de lencois e cobertores que os presos usam para tentarem a liberdade.

está tudo definitivamente conectado

ahh esses trançadosss!
legal ver tmbm os objetos que estão na cama do cara. um relógio, um controle remoto e uma caveira.
não é massa?

sozinha com os pensamentos enormes


Não se sabe qual é o medo, mas quando ele existe é assim.
Depois de ter prendido meus cabelos nas fitas crepe eu o considerei perigoso para se ter por perto. O meu corpo também é prolongado pelos fios e o que não se considera órgão, mas as unhas e fios e babas e palavras e gestos todos fazem parte do meu corpo e da minha alma e dói igual o tapa, o silêncio ou a mentira.
E ter os membros mutilados por qualquer motivo que não seja meu desejo ou responsabilidade me enraivece pois é agressão e não sou tão patética e passiva que deixe isso em vão e compreenda o teu desejo de nem pensar se eu ou qualquer pessoa será atingida pelo teu grande salto no irracional que fantasia a arte e é apenas descabido e nojento porque sim atinge e dói e mata e não vale a pena o salto por isso.
Eu estou quieta e me sinto mal e gostaria de ser transparente e sair pela fresta da porta, mas não sem antes cuspir na tua boca. Eu estou aqui no canto e sei que estou constrangendo aqueles lá do outro lado que sabem que eu estou aqui sentada escrevendo e esperando as lágrimas secarem e todos sabemos que todos existem nessa sala mesmo fazendo de conta que compreendemos a distância ou que não há nada entre nós, mas um ouvido e fios transparentes que não relaxam e estão apreensivos.
Eu gostaria de ter prazer e beleza e saber mesmo, senão a onde ir, sim ter os olhos abertos para caminhar com atenção e dar o passo com sabedoria. Não à estupidez! A cegueira caga.
e peço desculpas pela minha agressão.


No dia seguinte encontro estas imagens dou risada. meu amigo me liga pedindo o telefone do meu cabeleireiro e minha vizinha faz alguma coisa com fitas durex, e as desenrola tão forte que escuto da janela da cozinha



quarta-feira, 23 de julho de 2008

berg-mans :



Teatroperformance

Poesia visual inscrita no espaço...



Pra não dizer que não falei de Orlandos

Para todos os que pensam que Orlando é nome apenas do marido da Glória Pires, aí vai uma revelação chocante: este é também o título de um dos marcos da literatura ocidental: Orlando Furioso, do poeta italiano Ludovico Ariosto.

"Escrito ao longo de mais de trinta anos (!!!) e publicado na sua versão final em 1532 (com 46 cantos e cerca de 40.000 versos rimados), Orlando Furioso é um dos maiores monumentos da literatura européia e mundial, apenas comparável em termos de relevância cultural a outras obras-primas da literatura como A Divina Comédia (Dante Alighieri), Jerusalém Libertada (Torquato Tasso), ou ao Lusíadas (Camões), do qual, aliás, foi influência maior.

Misto de romance de cavalaria que engloba o imaginário popular e mitológico, numa fina ironia, Orlando Furioso é um longo poema épico que, tal como a Odisséia ou a Ilíada, pode facilmente ser lido como um grande romance de aventuras. Foi, aliás, leitura de entretenimento ao longo dos séculos em todas as cortes europeias, influenciando gerações de escritores como o inglês Spencer ou o espanhol Cervantes, estando ainda presente em obras tão distantes no tempo e diferentes no estilo como as de Camões e de Cyrano de Bergerac.
O tema principal do livro é de como o valoroso cavaleiro Orlando, de paladino de Carlos Magno e enamorado da bela Angélica, por ciúme, se torna em louco furioso, e de como sem o seu mais importante cavaleiro o exército cristão fica em dificuldades na guerra santa que trava; isto até o cavaleiro Astolfo encontrar na Lua o recipiente que contém o juízo de Orlando restituindo-o ao seu legítimo proprietário, mesmo a tempo deste ajudar os cristãos na luta que travam contra mouros nos muros de Paris. Pelo meio desfilam cavaleiros, cavalos alados, princesas, feiticeiros, e são descritas um sem número de batalhas, duelos, fugas, perseguições e cenas de amor; tudo isto num ritmo alucinante que a rima dos versos de Ariosto torna numa quase prosa musical."

Pois é. Quer saber mais? Agora na Wikipedia.

"Orlando Furioso ("Orlando louco" ou "A Loucura de Orlando") é um poema épico escrito por Ludovico Ariosto em 1516. Ele é uma "gionta", uma continuação do Orlando Innamorato (Orlando enamorado) de Matteo Maria Boiardo, mas distancia-se completamente da outra obra no tocante ao fato de não preservar os conceitos humanísticos da cavalaria errante. Adentrando o Cinquecento, o século XVI, ele trata estes temas apenas superficialmente. Uma obra de seu tempo, Orlando mostra mais claramente a assim chamada "cultura da contradição" a qual também caracterizou alguns trabalhos contemporâneos de Erasmus e Rabelais.

Cerca de três séculos mais tarde, Hegel considerou que as muitas alegorias e metáforas não serviam meramente para refutar o mito da cavalaria, mas também para demonstrar a falácia dos sentidos e julgamento humanos.

O livro começa com um relato da derrota do Duque Namo na guerra de Charlemagne. Angelica escapa e encontra Rinaldo procurando seu cavalo, Bayardo. Angelica foge de Rinaldo, e encontra o sarraceno Ferrau. Rinaldo e Ferrau lutam, depois fazem uma trégua e compartilham um cavalo para procurar Angelica. Ferrau busca seu elmo e encontra o fantasma de Angelica. Angelica foge e adormece numa gruta onde é despertada por um cavaleiro que se lamenta, Sacripante. Angelica manipula Sacripante e ele planeja violentá-la. Angelica engravida de Sacripante e finalmente encontra Bayardo"

Além desses Orlandos citados acima (o do Ariosto e o do Boiardo), existe, é claro, um que é referência contemporânea inquestionável: Orlando, de Virginia Woolf. A vida de um homem (depois mulher) vagando pela humanidade por mais de trezentos anos. Para aqueles que alegarão que as referências anteriores são antiquadas, duvido se manifestar contra este aqui!


















Bom, espero ter demonstrado neste post que essa coisa de nomes às vezes pode soar como mau gosto simplesmente (o que é um assunto apenas do autor com sua obra, diga-se de passagem), e lembrar que tem uma regrinha muito antiga e perversa que nos ensina que na maioria dos casos o nome de um personagem traz em si alguma significação que vai além da própria sonoridade. Ou vai me dizer que vocês também pensavam que Marte era apenas nome de planeta? Tá, o caso do Orlando da Glória Pires é uma exceção à essa regra. Ah, e espero também não ter de explicar a mais ninguém que o roteiro de Teresa e o Aquário foi escrito numa tarde de Domingo - entre visitas em casa e chamadas no celular - baseando-me nas reuniões e idéias anteriomente propostas por dois dos integrantes da equipe. Sendo que um havia sido afastado há poucos dias e o outro é o principal proponente do projeto. Gente, o Ariosto trabalhou 30 anos pra deixar Orlando Furioso pronto! Vocês acreditaram mesmo que sairia algo genial em uma tarde???!!!

Com o mesmo humor mordaz dos comentários que eu ouço: Muáh! pra vocês!