Amigos, a segunda parte do projeto "Dar Carne à Memória" eu pude ver nesse sábado. Queridos, não deixem de ver, está lindo! Em carne e sentimento e música maravilhosa e compassos e passos sem falso os bailarinos vêm de um passado glorioso nos levar de volta a algo que já estaria acabado, mas não está, pois estamos vivos! Se eu pudesse, daria de presente aos meus amigos, por isso, deixo o convite na imagem como a fita do pacote, vão até lá pegá-lo!!
Ontém eu assisti um filme do mar, as câmeras com nadadeiras foram ver bem no fundo, e na superfície das águas, os animais como bailarinos sem peso em sua atmosfera salgada, os encontros de amor e fome, os predadores, as dores do homem nos peixes e barbatanas, terríveis maravilhosos de um imenso mundo paralelo à terra, o Oceano!
O filme é liindo e verdadeiro como é a natureza, são muitas histórias, roteiros de ação e luta pela vida, tudo na realidade do mar. Mais que registro, poesias de Netuno, em câmeras de altíssima definição. A sereia em mim chorou (rrss).
"Oceanos", de Jacques Cluzaud e Jacques Perrin está na programação do Festival Varilux da Cinema Francês, no Unibanco Arteplex em Porto Alegre. O filme tem mais duas sessões aqui:
aprender com os erros, não se envergonhar, saber rir de si mesmo, perdoar e perdoar-se, e seguir fracassando.
A Cia. Rústica de teatro, grande amiga a parceira da Cia. Espaço em Branco, que já nos emprestou equipamentos, notas, afetos, casa, comida e até artistas! está trabalhando em sua nova produção, "Clube do Fracasso". Eles têm um site onde qualquer pessoa pode, anonimamente, escrever sua história de fracasso. É um tema polêmico e humano, da categoria dos julgamentos pessoais e sociais, que vem de encontro, da direção oposta, de onde vem as histórias de sucesso que foram perseguidas no último trabalho da Cia. Espaço em Branco, "Homem que não vive da glória do passado". Os fatos são os fatos; o que os fazem histórias, de sucesso ou fracasso, somos nós.
A la Isla de Pascua y las presencias salgo, saciado de puertas y calles, a buscar algo que allí no perdí. El mes de Enero, seco, se parece a una espiga: cuelga de Chile su luz amarilla hasta que el mar lo borra y salgo otra vez, a regresar.
Estatuas que la noche construyó y desgranó en un círculo cerrado para que no las viera sino el mar.
(Viajé a recuperarlas, a erigirlas en mi domicilio desaparecido.)
Y aquí rodeado de presencias grises, de blancura espacial, de movimiento azul, agua marina, nubes, piedra, recomienzo las vidas de mi vida.
Sou aluna de dança da Eva Schul a alguns anos, o Lisandro também. Nem posso dimensionar com precisão aqui como ela é responsável por uma sabedoria do meu corpo, por um crescimento, por uma expansão, força e equilíbrio. Eu a admiro imensamente, e agradeço por ser tão sábia e generosa - acho que posso falar pelo Lisandro também. Ela está montando um novo-velho trabalho, revendo coreografias antigas, com seus bailarinos de antes e de agora. Eu infelizmente não poderei ver nessa temporada, pois vou estar em cartaz com "Bodas de Sangue" (flyer abaixo), mas quero convidar as pessoas a não perder "Dar carne à memória"!!! Eles estão trabalhando muuuito, eu sei, e será maravilhoso!
Considere duas produções, ambas inspiradas em Lewis Carroll, que por pouco não estiveram em cartaz simultaneamente em Porto Alegre: o filme Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton, atualmente nos cinemas, e o espetáculo Alice, da Cia Espaço em Branco, com direção e performance de Sissi Venturin, que cumpriu temporada na Galeria La Photo.
Longe de querer medir adaptações ou intenções, vale tomar essa coincidência como ponto de partida para analisar o que o cinema 3D representa para a experiência, digamos, estética (na falta de uma palavra melhor) se comparado com a experiência proporcionada por vertentes do teatro que exploram o espaço como forma de compartilhamento com o público.
Essas vertentes teatrais não são novas, mas o frenesi em torno dos filmes 3D sim, e por isso merece ponderação. Em resumo, pode ser uma pequena revolução técnica na história do cinema, mas ainda é uma mudança tímida do ponto de vista das questões compartilhadas com outras linguagens artísticas. Quer saber? O público que corre ávido, com pipoca na mão, para as salas de projeção em três dimensões não está nem aí. Quer apenas a sensação, jamais o risco. Apenas a certeza, jamais a possibilidade. Estão todos muito seguros em suas poltronas.
Que o filme de Tim Burton seja um “falso 3D” (o efeito foi acrescentado depois, e não durante a filmagem, ao contrário de Avatar) apenas soma dramaticidade ao exemplo. Verdadeiro ou falso, no fundo não importa. Quaisquer que sejam as expectativas que o espectador vista junto com os óculos na sala de cinema, ao final o que resta é brincadeira para impressionar criança. Exceto se você considera como experiência estética a dor de cabeça que aflige 15% das pessoas que assistem a um filme 3D.
Agora que tal estar em um salão em que Alice, de corpo presente, desce de uma corda como que chegando à Terra das Maravilhas? Ou sentar no chão para participar, junto com outros espectadores, do “chá de desaniversário”? Ou, ainda, ter a oportunidade de comer os marshmellows em forma de coração que caem do corpo dela?
Estou, claro, citando cenas da performance Alice, de Sissi Venturin. Podemos lembrar de outro espetáculo da Cia Espaço em Branco, Homem que Não Vive da Glória do Passado (que também esteve recentemente em cartaz), de João de Ricardo, em que o público é levado, na primeira parte, para cima do palco. Para mencionar outras formas de vivência teatral, podemos pensar no Ói Nóis Aqui Traveiz, que convida os espectadores a percorrer os cenários dos espetáculos junto com os “atuadores”. Ou o Falos & Stercus, para citar outro grupo de trajetória consolidada. Isso apenas para ficar em exemplos do Rio Grande do Sul. Embora haja (felizmente) diferenças entre estas propostas teatrais, todas elas têm em comum o fato de colocar o público efetivamente dentro do espetáculo.
Mas aí se criou o mito da “interação com o público”. Não há nada que amedronte mais o público médio (na falta de uma expressão mais adequada, novamente) do que a possibilidade do encontro real entre artista e espectador.
Um medo que, na maior parte das vezes, apenas mascara um pré-conceito. Grande parte das produções que fazem o público compartilhar o mesmo espaço cênico dos artistas não o expõe ao ridículo. Sem falar que a definição sobre o que é chocante ou não também entra em questão. De qualquer forma, a maioria das companhias entende que vale mais a pena estender a mão ao público, às vezes literalmente, do que intimidá-lo. O que conta é a possibilidade de compartilhar, aqui e agora. Não é uma promessa, é uma oportunidade.
Então: que tipos de novidades estamos dispostos a experimentar? Por que negar o prazer do risco? Não está na hora de rever pesos e medidas?
o comentário foi publicado no blog "Quarta Parede" em 10 de maio de 2010. veja aqui
Quero publicar aqui no blog do Teresa o cartaz de um novo trabalho que estou fazendo, mas fora da Cia. Espaço em Branco. "Bodas de Sangue", de Federico García Lorca, é dirigido por Luciano Alabarse e Luiz Paulo Vasconcellos, estréia no Theatro São Pedro em Porto Alegre, dia 27 de maio. A história do Bodas encontra semelhança no universo de Teresa... pinga sangue nesse aquário também.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
(...) Uma mulher histérica é capaz de acreditar em qualquer coisa a respeito de si mesma - que dormiu com Napoleão, que ofereceu seus lábios a Deus. Pode dizer que satisfez seu apetite sexual com bodes ou pôneis das ilhas Shetland. Pode confessar que fez amor com seis homens ao mesmo tempo e com cada um deles no auge de sua forma. Pode sacudir-se tanto com a música que até a memória de suas paixões se desintegra, desaba como um prédio em chamas. Tudo que não é de pedra arde. Os órgãos permanecem intactos, mármore mudo lambido com erotismo, êxtase projetado como numa tela branca. Tranquem todas as portas e ponham fogo na casa, onde a estátua está de pé, masturbando mentiras. Pois nesse lugar haverá ainda música, o arrepio da pedra em chamas e fogo jorrando gelo. Apunhalem a mulher várias vezes. Mergulhem o olhar cada vez mais fundo no sonho, nada senão a repetição da morte, olhos vidrados de êxtase, cada clic do obturtador uma mentira, uma fornicação. Quando a mulher de órgãos de mármore tenta deitar-se com Deus, a divindade atinge a menopausa. O que era drama antigo, nobre música de mito e lenda, termina em profilaxia. Aqueles que um dia se sentiram como personagens vêem seus papéis se desfazerem em pó e em serragem. Outrora o mundo foi jovem e as feridas eram ostentadas com orgulho, pois Deus havia posto o dedo nas feridas e elas não deveriam cicatrizar - deviam ser suportadas com bravura e sofrimento. Agora, porém, nós somos como chalupas avariadas na tempestade - e é possível enfiar um guarda-chuva pelas nossas feridas abertas -, mas não há sofrimento nem bravura. Nós e nosso personagens - porque nós somos os nossos personagens - afundamos como navios abandonados, chalupas por demais avariadas, incapazes de resistir à primeira tempestade.
Esta primavera é bem seca, e o rádio estala captando sua estática, a roupa se eriça ao largar a eletricidade do corpo, o pente levanta os cabelos imantados, é uma dura primavera. E muito vazia. De qualquer ponto em que se está, parte-se para longe: nunca se viu tanto caminho. Fala-se pouco; o corpo pesa com o seu sono; em geral os olhos são grandes e inexpressivos. No terraço está o peixe no aquário, tomamos refresco olhando para o campo. Com o vento, vem do campo o sonho das cabras. Na outra outra mesa do terraço um fauno solitário. Olhamos o copo de refresco e sonhamos estáticos dentro do copo. "O quê!" "Eu não disse nada." Passam-se dias e mais dias. Mas basta um instante de sintonização e de novo capta-se a estática farpada da primavera: o sonho impudente das cabras, o peixe todo vazio, uma súbita tendência ao roubo, o fauno coroado em saltos solitários. "O quê?" "Nada, eu não disse nada." Mas percebo um primeiro rumor, como um coração batendo embaixo da terra e ouço o verão abrir caminho por dentro, e meu coração bate embaixo da terra - nada, eu não disse nada - e sinto a paciente brutalidade com que a terra fechada se abre por dentro, e sei com que peso de doçura o verão amadurecerá cem mil laranjas, e sei que as laranjas são minhas, porque eu quero.
Trabalho Cênico, de estrutura orgânica e coletiva em Processo através da Cia. Espaço em BRANCO.
Em um presente PARALELO
onde todas MULHERES do mundo estão
misteriosamente MORTAS.
Um HOMEM,
trancafiado em seu APARTAMENTO,
documenta sua história de
SUCESSO.
Homem que não vive da glória do passado
Teatro de Câmara Túlio Piva (Rua República, 575, Cidade Baixa) De 19 de março a 11 de abril Sextas e sábados às 21h, domingos às 20h Ingressos: R$ 20,00 50% de desconto para estudantes, idosos e classe artística.
ATENÇÃO: APENAS OS 20 PRIMEIROS INGRESSOS DE CADA APRESENTAÇÃO SERÃO CONVIDADOS A PRESENCIAR O ESPETÁCULO INTEGRALMENTE. RESERVE O SEU PELOS TELEFONES: 51- 3289.8093 / 8094
"A irônica e surreal história de um cara comum, mais um desses ilhados no fundo de seus apartamentos, só tendo contato com a vida através das telas de computador e da televisão. Um João que se vê desafiado por uma situação limite: certo dia, sem nenhuma explicação, todas as mulheres do mundo morrem. Cercado pelo desgosto com sua própria e solitária existência de cidadão de classe média, acovardado pela violência que penetra até os corredores do seu prédio, mergulhado num mundo tomado pelo caos e a morte, João terá que tomar decisões drásticas para continuar vivo. Decisões que colocarão ele frente a frente com os limites da sua "civilização", mas poderão torná-lo um homem de sucesso. "
Ficha Técnica: Um espetáculo da Cia Espaço em Branco Criação e Performance: Bruno Gularte Barreto, Douglas Dickel, Carina Sehn, João de Ricardo e Pedro Karam Direção e Vídeos: Bruno Gularte Barreto e João de Ricardo Dramaturgia: Bruno Gularte Barreto e João de ricardo baseada no conto original de Bruno Gularte Barreto Iluminação: Carina Sehn Sonoplastia: Douglas Dickel Câmera, Assistência geral e de multimídia: Pedro Karam Assistência e finalização de vídeos: Caroline Barrueco Produção e Assistência de Direção: Sissi Venturin Design Gráfico e Fotografia: Bruno Gularte Barreto Figurinos: Spirito Santo e Azul Cobalto
Vamos, não adianta nada chorar assim! disse Alice para si mesma, num tom um tanto áspero, eu a aconselho a parar já! Em geral dava conselhos muito bons para si mesma (embora raramente os seguisse), repreendendo-se de vez em quando tão severamente que ficava com lágrimas nos olhos; (...) pois essa curiosa criança gostava muito de fingir ser duas pessoa. Lewis Carroll
O quinto trabalho da Cia. Espaço em BRANCO estreiou nessa quinta-feira, 25 de março na Galeria La Photo. ALICE é livremente inspirado nos livros de Lewis Carroll, com direção e atuação de Sissi Venturin, que convida os espectadores a entrar na obra, fazer parte do jogo de cartas, do jogo da peça. Eles são convidados do Banquete de Desaniversário, a Hora do Chá, cujo prato principal é o corpo da atriz, em situações que trazem à tona alguns dos personagens de Carroll, todos vividos por ela. A peça não pretende contar a história, mas desfaz a narrativa para ser uma construção abstrata e sensível preenchida de sentido pela platéia, assim como são os livros. A atmosfera onírica e nonsense, convida a vivenciar o País das Coincidências, onde a relação é criadora do percurso. A atriz atravessou seu espelho, olhando para si através da coragem em descobrir o novo e entrar no buraco escuro que existe na personagem Alice. Lá encontrou maravilhas. Aqui, na peça, o encontro entre obra e público quer celebrar-se, depende de todos construir a jornada!
FICHA TÉCNICA
Direção e Atuação: Sissi Venturin Iluminação: João de Ricardo Operação de video e áudio: Leonardo Remor Direção e Arte dos vídeos: Sissi Venturin e Leonardo Remor Fotografia e Montagem dos vídeos: Tiago Coelho Finalização de vídeo e áudio: Marcos Lopes Ilustração e Design Gráfico: Talita Hoffmann Colaboração criativa, afetiva e intuitiva: Marina Mendo, Leonardo Machado e João de Ricardo.
AGENDA
Galeria La Photo 55 (51) 3221.6730 / 99170905 (Travessa da Paz, 44, Bairro Bom Fim) De 25 de março a 15 de abril Quintas-feiras às 20h Ingressos: R$ 20,00 50% de desconto para estudantes, idosos e classe artística.
Na areia havia cinco meninos, entre 6 e 8 anos. Eles corriam de sungas coloridas. Eram como foguinhos, lobinhos, em grupo em vai-e-vens de perseguições amigáveis e estátuas de sal. Os meninos vivos em seus pequenos corpos de maresia. A alegria como motivo de existir. Contagiantes. Eu via à distância os pequenos deslumbrantes, quase nervosos de tanta ânsia uns pelos outros. Jovem força e brutalidade ainda escondida num projeto de homem. Mas já essência meio ogra, meio monstra em fazer caretas horrendas para a foto e, se for preciso sorrir depois, não será sério. Os meninos eram lindos, cada um diferente. Ainda doce olhar, o fato mirabolante e fantástico sobre ele e a onda do mar. O grande misterioso apenas desbravado na beirinha, entre pulos e punhos fechados de vontade. Um deles usava boias nos braços. (eu me lembro delas em mim.) Ele estava ancorado no espaço, as boinhas o penduraram no ar e qualquer passo era uma coragem. Era o menorzinho de braços caídos passando pelas bolhas de ar, suas asinhas salvadoras, mas imóveis. O maiorzinho era mais veloz, o cabeçudo. O cor-de-camarão tinha pernas longas e sombrancelhas anciosas quando corria para não ser capturado. Um castanho de camiseta, outro de braços tinhosos, como um macaquinho. Na praia eu e eles e todos entre as quatro direções possíveis. Na praia diante do enorme mar eu me acalmo. Sua maritmidade age sobre as emoções e aflições. O gigante mistério ali em frente e os homens na areia como que esperando que ele avance, que transborde. A tela de areia é um cinema paraíso, as famílias passam, as bolas, os cachorros, os amantes, as imagens e miragens. No dia de Nossa Senhora dos Navegantes Yemanjá eu estava com ela em seu véu de água, deixando nosso silêncio falar. Um silêncio de murmúrios e suspiros, suor salgado misturando espumas e embalos. Quando visto o véu, peso nenhum do corpo ou da mente, livre de mim atormentada, mas molhada de perdão e tempo. Calma. Calma. Eu ainda quero viver na praia. Eu ainda quero estar mais perto da tranqüilidade, entre os corpos semi-nus, a brisa, o céu inteiro possível de ser visto nos limites da terra. O som. Aqui eu lembro. Eu lembro. Aqui é possível estar descalço, sereno e ter coragem. De noite, a lua refletida na água e mais nada, e tudo que cabe no coração. Não há solidão mais inteira que em companhia da grande mãe, eu deitada em seu útero formado entre o chão e o céu, a terra e o mar.
Nota fúnebre: Os restos humanos abandonados na areia não sangram, mas fazem chorar a beleza. São pedaços de descaso, a cegueira, os plásticos e garrafas e latas, as fraldas, canudinhos e tampinhas, o absurdo egoísta, peles de substâncias, embalagens consumidas e esquecidas. Quisera os homens carregassem as carcaças em si. Enquanto fizerem da natureza latrina, seu túmulo na merda, surpresa: sua própria casa imunda, a rua inundada, a alma poluída. . .
Na última vez foi questão de segundo. Caio felizmente na cama e eis o vazio, e logo depois eu dizia a mim mesma: não foi nada, já passou. Alô! Alô! Picasso! Vem me ver, por favor especial. Sou um pinto depenado. Mas que foguete! Comemorando o quê? pergunto eu. Eu me olho de fora para dentro e vejo: nada. Meu cachorro está inquieto. Há alguma coisa no ar. Uma transmissão de pensamentos. Por que as pessoas quando falam não me olham? Olham sempre para outra pessoa. Eu me ressinto. Mas Deus me olha bem na menina dos olhos. E eu o encaro de frente. Ele é meu pai-mãe-mãe-pai. E eu sou eles. Acho que em breve vou ver Deus. Vai ser O Encontro. Pois eu me arrisco. (...) Quando pequena eu rodava, rodava e rodava em torno de mim mesma até ficar tonta e cair. Cair não era bom mas a tonteira era deliciosa. Ficar tonta era o meu vício. Adulta eu rodo, mas quando fico tonta, aproveito de seus poucos instantes para voar. Acho que loucura é perfeição. É como enxergar. Ver é a pura loucura do corpo. Letargia. A sensibilidade trêmula tornando tudo ao redor mais sensível e tornando visível, como um pequeno susto, o impalpável. Às vezes acontece um desequilíbrio equilibrado assim como uma gangorra que ora está no alto, ora está no baixo. E o desequilíbrio é exatamente o seu equilíbrio.
"Teresa e o Aquário" esteve na programação do Festival Janeiros de Grandes Espetáculos nos dias 13 e 14 de janeiro. Nos apresentamos no Teatro Marco Camarotti do Sesc Santo Amaro. Foi massa, como eles dizem lá! Temos muito a agradecer a toda a equipe, Paula de Renor, Íris Macedo e Luciana Raposo, as produtoras. Também agradecemos imensamente ao Luciano Alabarse e o Porto Alegre em Cena pela ponte portinho-récife, estava tudo mesmo em família tanto era o clima de vontade e satisfação. À equipe do teatro agradecemos, particularmente ao Romárico do som, amigo, você é demais! Também a dona Beta, camareira materna, ao Elias, quebrando galhos com sorrisos, Sandra Possani nossa anjo voadora, Fal da casa branca de Olinda e do taxi cheio de gente, e Dandara bombom, garota vibratória rumo à alegria!!!
Depois de uma semana de água de coco, tapioca, camarão, forró e amigos... ficam saudades. Nós daqui lhes mandamos de volta... um cheiro!