quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Sétima Bienal do Mercosul - Palestra dia 12 - 08 Performance - Teatro

Estou participando do curso de formação de mediadores da Bienal. Dia 12- de agosto bate papo sobre performance - teatro. Convido todos os amigos !!!

7ª Bienal do Mercosul
acesse o site da bienal clicando aqui

Programa

Curso de formação de Mediadores e Professores-Mediadores
Aulas com transmissão simultânea através do site da Bienal

LOCAL e horário das aulas:
no Auditório do Instituto Cultural Brasileiro Norte-Americano – Rua Riachuelo, 1257, POA. Serão organizadas duas turmas, uma no turno manhã, das 8h30 às 12h, e outra no turno noite, das 18h30 às 22h.

Julho

Dia 23
Projeto Curatorial da 7ª Bienal do Mercosul – Victoria Noorthoorn
Orientação sobre o formato do curso, ferramentas do site da Bienal e recursos para pesquisa – Ethiene Nachtigall, Umbelina Barreto e Gabriela Bon

Dia 29
A cidade como texto, a mediação como rasura - Julio Lira
O público e a Bienal: o trabalho de mediação – Lorena Avellar e Tatiana Henrique

Dia 30
Apresentação do Projeto Pedagógico / Sobre mediadores, professores-mediadores e coordenação com o material da Curadoria Editorial – Introdução de Mônica Hoff e Marina de Caro
Processo de construção da obra e seu diálogo com o espaço de exibição – Mario Navarro e Jorge Menna Barreto


Agosto

Dia 5
O Humor, o absurdo e o inconsciente: estratégias de alteração de paradigmas. A importância da instabilidade e da ambigüidade - Laura Lima e Sergio Lulkin
Arte, irradiação, comunicação. Radiovisual - Lenora de Barros

Dia 6
O desenho como estratégia e exposição do pensamento do artista - Flavio Gonçalves e Fernando Mattos
Desenho das Ideias e Ficções do Invisível - Victoria Noorthoorn

Dia 12
O cenário e o processo de exibição do próprio artista. Teatro e performance na arte contemporânea atual. Apontamentos sobre as condutas e convenções sociais – Paula Krause, João de Ricardo e Tatiana Rosa
Um lugar comum. Os artistas e a comunidade (comum-unidade) - Camilo Yañez e Maria Helena Bernardes

Dia 13
Abordagem para público com necessidades especiais. Acessibilidade e exercícios de sensibilização / experiências com limitação de sentidos - Viviane Loss, Adilso Corlassoli e Gabriela Bon
Aproximações com o público de Ed. Infantil - Larissa Kautzmann, Maria Cláudia Bombassaro e Ekin

Dia 20
Publicações e Projeto Editorial da 7ª Bienal - Vinculo entre as fichas pedagógicas e demais publicações da 7ª Bienal - Erick Beltrán e Bernardo Ortiz (a confirmar)
Experimentação e reflexão a partir das fichas pedagógicas - Estevão Haeser, Jorge Bucksdricker e Ana Lígia Becker


Outubro

Dia 7
Arte, irradiação, comunicação. Texto Público - Artur Lescher e Fernanda Albuquerque

Dia 8
Mostras da 7ª Bienal – Curadores da 7ª Bienal
Questões curatoriais da 7ª Bienal do Mercosul - Victoria Noorthoorn, Camilo Yáñez e Marina de Caro em diálogo com os mediadores. (Espaço para perguntas sobre a 7ª Bienal em sua totalidade).

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Carta de Taíse

A Taíse Gewehr escreveu para o email da Cia comentando o espetáculo. Obrigada, Taíse, pelo retorno.

"João,

Por primeiro, como qualquer um que expressa opinião sem ter embasamento real no que diz, te peço desculpa desde já por qualquer deslize. Segundo que, como qualquer pessoa que escreve, desejo imprimir um tom. E já te adianto na partida, que o matiz que gostaria de transmitir é genuíno enquanto platéia, e que desejo ser amigável, ajudar no que for, com meus "eu acho" e "eu penso".

Saí da peça primeiramente alegre com o que mais me chama atenção em qualquer arte. São as camadas de conotação. Se você perdoa a liberdade, recorto uma citação que usei na mono, diz assim: "pela riqueza de suas conotações é que o romance de Proust se diferencia – do ponto de vista semiológico – de um livro de cozinha; o filme de Visconti, de um documentário cirúrgico” (METZ, 1972, p. 95)". Dois livros e dois filmes que diferem na profundidade, e isto, resumidamente, poderia ser o que, para mim, é o encanto de qualquer arte.

Nossa, a letra cantada por Teresa é viva e tão dela! É singelamente deliciosa. A fala do Lisandro quando monologa sobre Mãnhê e trânsito é ótima, muda o tom de toda a peça, parece um parêntesis no todo, mas que corre o risco de ser visto literalmente como monólogo, pois está ali, discutindo os grilos do homem modernos, ao meu ver, não do personagem em si. A saia que se faz calda de sereia, simples e perfeito. E os dois se vestindo juntos, aquele início de casamentos com mil juras, onde tudo exacerbadamente se faz junto, até vestir-se, brilhante! Logo aquele corte dramático daquela união, eu teria sentido até mais se a cena fosse um pouco mais vagarosa. E a mesma fita que ela usa para amordaçá-lo e humilhá-lo no fim! Trilha muito boa mesmo, pontual, concisa. O uso das lâmpadas pra construir a linguagem! Belíssimo, fotograficamente falando também, e fazia todo sentido junto da interpretação. Dispensável falar das fantásticas projeções e que casavam no contexto geral da obra e compunham também a homenagem à arte contemporânea.

Aqueles saltos no início me parecem soltos. Imaginei que se os dois tivessem começado no mesmo tempo e fossem entrando em ritmos diferentes, eu teria sentido a característica de uma relação que termina por ruir: dois que começam dançando na mesma batida e terminam por afastar-se de tão diferentes e estrangeiros que parecem um ao outro, se eles ainda trocassem olhares neste processo, pois tanto mais clara seria essa idéia. O aquário. Ele era fantástico para compor as cenas e dar significado às falas, mas não senti ligação direta dele com o casal, ficou em mim isso como lacuna, e tristemente foi o que me balançou no meu julgamento da peça. Porque todo título serve de guarda-chuva para o que está abaixo. Eu quis assistir a peça sem ler nada sobre: despretensiosamente. Contudo, ao ler um título isso já de alguma forma delimita a obra. Vi menos Teresa e o Aquário e vi mais algo como Teresa ao encontro de Teresa. Vejo Teresa de uma sinceridade! Ela não tem medo de terminar uma relação drasticamente, de querer um homem mais velho, de tremer de medo ou vergonha ou angústia pelo que já foi, é. Vejo Teresa à flor da pele, transpirando emoções e vivências em loop, irrefletidas. Isto é muito contemporâneo.

Arte como processo. Isso me atraiu muito na sua montagem. Este desejo de interagir, câmeras, blog, e de expandir o sentido por meio da internet, boníssimo. As artes plásticas aparecem gritantes visualmente, especialmente na composição entre corpos e lâmpadas, na performance com o mamão, na forma distanciada ou indiferente dos amantes se aproximarem, no texto com lacunas.

João, a peça está muito boa, verdade. Espero que tome com carinho o meu olhar sobre a peça e veja amor nos meus comentários.

Grande abraço,
Taíse"

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Ainda belaAbalada

BALADA

Amei-te muito, e eu creio que me quiseste
Também por um instante, nesse dia
Em que tão docemente me disseste
Que amavas´ma mulher que o não sabia.

Amei-te muito, muito! Tão risonho
Aquele dia foi, aquela tarde!...
E morreu como morre todo o sonho
Deixando atrás de si só a saudade...

E na taça do amor, a ambrosia
Da quimera bebi naquele dia
A tragos bons, profundos, a cantar...

O meu sonho morreu... Que desgraçada!
.....................................................................
E como o rei de Thule da balada
Deitei também a minha taça ao mar...

(Florbela Espanca)

domingo, 2 de agosto de 2009

Em Trânsito :: 05 de setembro :: 20h :: Sala 309 do Gasômetro

Setembro:
Mostra de Trabalhos da UERGS/Fundarte- Montenegro-RS
Sala 309 do Gasômetro

Horário:20 h
Ingresso: espontâneo no chapéu ao final dos espetáculos


05/09/2009- Sábado
• Espetáculo ‘’ Antes do Café’’- Direção: Alda Silveira
Espetáculo ‘’Em Trânsito’’- Direção: Sissi Venturin

12/09/2009- Sábado
• Espetáculo ‘’Cordão Umbilical’’- Direção: Rosmeri Lorenzon
• Espetáculo ‘’Una Donna Sola’’- Direção: Diego Ferreira

13/09/2009- Domingo
• Espetáculo ‘’ Quem sabe a gente continua amanhã?’’- Direção: Ana Denise Ulrich
• Participação especial : Espetáculo ‘’ Antes do Baile Verde’’- Direção: Malu Maggi (DAD)

Amigos e Imagens VI ...

Presente de Douglas Dickel...

terça-feira, 28 de julho de 2009

... lesma

fugindo fugindo fugindo
fu
fu
fu
gi gi gir
(girfu) ir indo
ir ir ir
do do dô

não sei o que querer
o que querer
fuga do querer
fusca lerdo
fumaça
lesma
asma armadura
in ín dio
hipopótamo
lago parado
espelha o céu
nublado
atrás das nuvens
detrás...
de dê
descer no vento
o lago é de vidro
queda que que
quadro queda
quebra
raspa risca
rompe estilhaça
corta carcaça
casco caído lesma arrastada
devagar divagando
indo fundo
fuçando invadindo
fugindo fugindo
fu fu
deu.

yes, I know



(de Ben Tour)

>> seta >>>>>>>>

Seta para situar soturno pelado no sótão desacompanhado.
Está ardendo o cigarro acompanhando o sentido de apoiar o silêncio no cálice ardido, áspera barba protege a flor quase desabrochada; cactus bebe lágrima.
Dentes perfuram a cápsula escorre pasma crença dos olhos d´água, verde broto de trepadeira enraizado nas rodas de bicicleta, no salto sonoro que corre contratempo.
Que bate, que faz estrondo sem estrago, macio buraco no assoalho, poço sem água sem fim. Cartola sem coelho. Caixa de música no miolo do mundo. Seu suspiro eleva, a boca sopra sombra e venta, faz tempestade, ferve, jorra, é líquido, localiza-se nas linhas de um violão. Contradição: ser total sozinho.

Mais uma sereia...

... naufragada e feliz...




(foto de Margery Krevsky)

Amigos e Videos

Presente do Brummno...


quarta-feira, 22 de julho de 2009

Teresa está em Cartaz - Até 29 de julho!

até 29 de julho...





Teresa e o Aquário



Todas as Quartas-feiras de Julho, às 21h30, no Espaço OX (Ocidente Bar - João Telles, esquina com a Oswaldo Aranha)

Preço único: R$ 15,00 (ganha uma cerveja)


www.teresaeoaquario.blogspot.com



Críticas:

“(...) a mais concreta, orgânica e representativa experiência pós-moderna que já tive a oportunidade e o prazer de assistir nesta minha já longa vida pós-bonde e pós-máquinas Remington (...)”.

Luiz Paulo Vasconcelos – Revista Aplauso


“(...) Dá gosto e orgulho ver a coragem da Cia Espaço em Branco ao descartar fórmulas teatrais consagradas para contar sua história. Assumindo o risco, o grupo partiu da história para construir uma fórmula original, alheio a caminhos mais fáceis para o público e para o elenco (...)”.

Renato Mendonça – Segundo Caderno / Zero Hora


“(...) Um não sei tanto de sensações emotivas (...) Isso tudo porque estive numa pequena sala vivendo um grande teatro. E viva Artaud! E vivas a todos vocês! Obrigado.”

Arlete Cunha


“(...) Teresa e o Aquário se apresenta como montagem teatral, dramatugia. No entanto é um processo hibrido de performance dramática, música, vídeo-art, filmagem e projeção executado em tempo real; proposta ousada e intensa capaz de provocar reações de amor e repulsa em iguais proporções, a meu ver, este é seu mérito, um tanto enigmático (...)”

Gue Martine – Vista Skateboard Art


“(...) Criatividade, talvez seja a palavra, porque João e com certeza toda a sua afinada equipe (atores, dramaturgo, multimídia, etc) esbanjam na criação de imagens que causam forte impacto sensorial em seus espectadores. Achados maravilhosos. Propostas radicais, ousadia. (...) Fazia tempo que uma peça não me provocava tanto. No marasmo desértico que anda o nosso teatro, ver a peça do João é como chegar num oasís. A construção dramaturgica de Diones Camargo é raro brilho, principalmente na voz e no corpo dos atores. (...) A peça fica com a gente, fica na gente. Remexeu o meu aquário de imagens, recordações, situações. Teatro puro.

Roberto Oliveira - Modesto Fortuna


"Fui ver Teresa e o Aquário e sai mal do teatro. E ao mesmo tempo muito feliz. A impressão que eu tive é que estava diante de algo realmente novo, não novo no mundo da arte (o espetáculo é uma explosão de referências maravilhosas), mas novo aos olhares de Porto Alegre (...).

Felipe Vieira de Galisteo


“(...) vale a pena tirar suas bundas de casa e ir ao teatro ver Teresa e o Aquário, que é um espetáculo irônico, divertido, catártico e muito bonito (...)”

Mari Messias


"(...) Vi no palco um pouco de cada e mais uma infinidade de referências e coerências com o que admiro de melhor de todas artes. Que felicidade (...)"

Fernando Bakos


(...) Fui envolvida, foi isso. Duas horas que mais pareceram dez minutos imersa no aquário de Teresa (...) Desse aquário, cada um pesca o que quiser.”

Cami Farina - Maria Cultura

sábado, 18 de julho de 2009

terça-feira, 14 de julho de 2009

EM TRÂNSITO - 4º Espetáculo da Cia. Espaço em BRANCO


Com orgulho estreiamos na Sala Qorpo Santos - UFRGS nosso novo espetáculo
EM TRÂNSITO
com Lisandro Bellotto
Direção Sissi Venturin
Luz Mariana Terra
Dramaturgia e Multimídia João de Ricardo
Fotos Bruno Gularte Barreto

O Espetáculo cumpriu temporada de uma semana, com seis apresentações, durante a Mostra do DAD - Departamento de Arte Dramática UFRGS

sábado, 11 de julho de 2009

Amigos e Imagens V ...

Presente de Dudu...

domingo, 5 de julho de 2009

PaSSageirO

O menino sobe a lomba, sobe a lomba da escola, sobe com as costas pesadas, com o passo amortecido de cadarços ao contrário. A lomba é alta, é longa.
Quando ele estava saindo de casa ainda todos dormiam, ele estuda de manhã, todo dia de manhã, todo dia cedo antes da rua toda.
Lá no alto o prédio é grande mesmo longe. É enorme mais ainda por dentro, muitos degraus e painéis e colunas como pirulitos de caracóis enrolados por comprido, minhocas, parafuso. O eco, há muitos muitos mais que ele só, há eles todos dele mesmo, eles que sabem tudo que ele sabe.
A lomba escorre para baixo e ele passo a passo sem cadarços iguais.
No caminho as pedras e suas divisões impisáveis e as linhas retas dos portões, ele não pode encostar, ele escapa das frestas dos vãos, alto joelho alcança o passo.
E a pausa...

No chão... o pequeno corpo, fóssil ainda quente de um filhote de passarinho.
A pausa para olhar para baixo, no chão o mortinho roxo, transparente, verde. O bico enorme, os olhinhos com as pequenas pálpebras como casquinhas de pele de lagartixa, ele está caído. Ainda sem penas ele foi ao mundo cedo demais, desbravar sem saber voar.
O garoto toma coragem de se agachar para encostar no corpinho frio. Ainda se pode escutar o pio dos irmãozinhos no ninho alto do ar condicionado vizinho, casa de passarinho.
Coitado! acha o menino e sente que não há por que vacilar, toma o pequeno nas mãos e fica admirado com o peso nenhum, com a leveza cheia de morte, cheia de pavor de abandono. Como uma carcaça resta na terra, sem vida a alma o ar. Parece uma dúvida, parece que ele pode acordar se cutucar ou sacudir. Mas o garoto não tenta, ele espera o tempo, o tempo todo de uma eterna pausa. Ele resta ali, com o rosto em direção ao braço erguido parado e a mão firme.
O passarinho é nu na mão nua, é cru na pele clara, é criança depois de feto. Diante do fitar espanto há choro e lágrima de um menino perdido no caminho de um imenso cheio de vácuo, cheio de nada e vergonha de um enorme castelo de mármore que diz o que ele deve saber; ele pára no caminho porque se perdeu do ninho, porque ele lembrou da foto de quando era nu bebezinho no colchão florido sem lençol da praia no álbum do desenho do neném com roupa de coelho azul, a sua foto antiga, nu deitado no colchão. E o passarinho em sua mão comovida, envólucro apenas é o corpo vivo, apenas roupa do fogo intenso do verdadeiro ser.
Não há tempo para ficar, então ele encontra o canteiro próximo e abre um buraquinho na terra ainda cheia de sereno, a umidade enfia nas unhas a lama de terra fria, e a mão limpa leva o defuntinho até o buraco. Cuidado para colocá-lo certo, para acomodar a forma de pássaro que não cresceu para voar. Ele não vai longe, escondido coberto de terra vai abatumar, derreter, esfarelar. O menino sabe bem o que vai acontecer: o seu amigo vai virar um dinossauro, um fóssil milenar, alguém verá um dia...
A calça serve para limpar a mão da sujeira, esfrega os dedos pretos. E deixa ali o seu filhote de viagem, o seu encontro passageiro com a morte. A mão que amança o passarinho nunca vai esquecer que tocou o eterno, que salvou a pausa de um passo descuidado para ser um fóssil singelo. A memória de um encontro acaso no caminho rotineiro, do percurso interrompido de um dia inteiro, de uma vida toda escondida no canteiro.


Pintura de Wei Jia "Discover"

chac chac chac

É noite, estou sentada trabalhando em frente ao computador e começo a escutar da rua um barulho compassado de algo que raspa a calçada. Levanto e vou à janela ver se é algum mendigo lixando algo, enfim, dessas coisas de mendigos e cracks e lixos de sempre no Brasil.

Mas vejo um senhor de blusão escuro, sacola de supermercado pendurada no antebraço esquerdo caminhando sem dobrar os joelhos, arrastando um pé e outro, um pé e outro, um pé e outro no chão, de sapato marrom, ele é até ágil neste caminhar em que um passo tem a distância apenas do calcanhar ao dedo do outro pé. Ele está acompanhado de dois cachorros mais à frente, sem coleira ou guia. Ele não move o corpo, tem a coluna um pouco arqueada e é como um boneco de corda, chac chac chac chac ele caminha pela quadra. Os cachorros vão e voltam. E eu ali, do alto começo a chorar porque o velho é velho e só com a sacola, e seus joelhos mortos e eu aqui cheia de mim e nada e medo de ser como ele. Ele demora cerca de sete minutos para chegar ao final da quadra, ele até tenta ser mais rápido, mas os passos vão curtos curtos curtos e pesados. Até onde ele vai? E eu ali, parada, cheia de mim e lágrimas e pena. E ele enfim dobra a esquina. E eu nem sei até onde, ou se ele vai sumir. E eu ali, sem o velho, sem o som, só a velha árvore e a solidão.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

CarTaZ OX JuLho



A bilheteria e o Bar abrem 1 hora antes da peça.
R$ 15,00 valendo uma cerveja.

sábado, 20 de junho de 2009

"Em Trânsito", 4o espetáculo da Cia. Espaço em BRANCO estréia em 09 de julho




O novo espetáculo da Cia. Espaço em BRANCO é uma produção independente e autoral.
A primeira parte deste texto faz parte da peça "Teresa e o Aquário". No novo espetáculo o público verá o mesmo fragmento em outra leitura, e sua continuação em outros dois atos.


Em Trânsito

Um homem está preso no trânsito, sozinho. Fala consigo mesmo, seu celular toca e ele não quer atender. Ele sabe quem está do outro lado da linha e pretende ignorá-lo. Mas, em meio a esses fluxos de trânsito barulhento, luzescruzantesbrancasvermelhasamarelas, ele atende e é levado a um lugar surpreendente.


Direção: Sissi Venturin
Atuação: Lisandro Bellotto
Dramaturgia e videos: João de Ricardo
Iluminação: Mariana Terra

Sala Qorpo Santo
(Campus Central da UFRGS)
09 e 10 de julho - quinta e sexta - às 12h30 e 20h
11 e 12 de julho - sábado e domingo - às 20h

ENTRADA FRANCA

(foto de Eduardo Essarts - o Dudu)

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Marina diz:

Da impossibilidade:
Fechar a Noz na Casca depois de espatifá-la.

(Entre aqui no Flickr de Marina Mendo)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Das antigas correspondências... carta da sereia naufragada à Zeus do pólen

Don Juan, sou apenas mais uma flor no teu jardim. Há um passarinho pousado em mim. Ainda assim enraizada nesta terra seca, sem água, sem lágrimas, sem nada. Em meio a outras cores e perfumes do teu harém de flores. Mas as tuas dores não vêem assim. Enterrado até a cintura nesta terra escura nem caminha, nem minha, nem tua, nem vem, nem vinha. Nunca quis. Serei cortada, serei salva pelos olhos d´água, pelo pássaro com bico, com afeto, sem medo, sem teto. Voarei ensolarada, roubada deste jardim em que me plantei sem alimento, sem cuidado, sem acalento. Me deixo, me largo. Tu não me quer, não cuida. Estarei à salvo quando chegar a chuva! A chave do jardim do amor amado.


(imagem de Carla Gannis)

P.S.:
Você precisa se dedicar ao amor!
Ele é flor sedenta, terra seca.
Veja as flores, veja as flores.
Escolha o cheiro e a cor,
E voe, voe passarinho!

Amigos e Imagens IV

Presente de Dudu...


Zena Holloway

Das antigas correspondências... carta da sereia ressecada

À Tormenta,
(reza da liberação)

desespero!
descaso

descalça pela casa espero descer na terra
alcançar meu corpo
chegar de volta na vida

atingir!
atormentada preciso acalmar
atirar a pedra do meio do caminho
elevar o passo
não olhar o atraso.
atrás, traiçoeiro
traidor.

sinto o golpe na nuca
os olhos postiços foram quebrados
há apenas uma direção.
e não será você que vai matar minha fome
faça favor de fugir,
fez flagelo demais
frases vazias
vampiro.

eu vagalume liberto-me
das trevas para a noite verdadeira
para o dia todo.
Abençoe-me, anjo de luz.
Proteja-me do pavor
leve daqui o monstro e a prisão
de sua boca, a gaiola de dentes mudos, travados.

a mentira

Serei sábia,
o próprio pássaro incendiado.
sequei todo o mar
e vou encher a enorme cratera
de lágrimas purificadoras
e mergulhar no entendimento

batisada por mim
uma nova mulher sem escamas,
mas penas na cauda
voarei

você não me pega!
esconda-se na toca, venenoso,
ela é teu próprio túmulo
e as únicas flores que jogarei
em teu leito será a bosta do pássaro
cheia de sementes.
com sorte tua carne ainda fará brotar a vida

Ainda que eu acredite que de ti, apenas
o caus, o carma.

Te odeio!
Fere-me a tua lembrança!
Pratico o homicídio da emoção.
Você não se comove, sequer entende
É pequeno verme.
Veja: vencerei!

...

os líquidos da mulher se misturam com o cheiro de cigarro dos dedos dele na calcinha.
charuto adocicado
cigarrilha
espartilho



(pintura de Jeff Bark)

domingo, 14 de junho de 2009

Anestésica histeria

Quando as bocas se encontraram havia o calor extremo do amor de um, unido ao desespero culpado do outro. Ela ouviu o palpitar do coração acelerado. Ele desta vez nem a segurou na cintura, nem a tocou a não ser com a boca fervendo e os lábios rijos.
Ela sentiu deslizar pela sua língua pela garganta a pequena pílula, semente de amar, pensou. O palpitar do coração do homem agora estava dentro dela, descendo pelo pescoço. Ele nem a olhou nos olhos quando começou a andar de costas, baixando a cabeça devagar. Ela restou ali, sem entender o som e a distância. Quanto mais ele se deslocava para longe, mais o objeto caminhava por dentro dela, uma dor a envolvia, era como se seu coração perfurasse. Ela entendeu todo seu amor nesta sensação doída quanto mais longe ele ia.
A cápsula estava programada para ir em direção à vibração cardíaca. E assim foi, o mecanismo funcionou como flechada fatal, cupido ao avesso. Ela entendeu o medo e abriu os lábios devagar com a mandíbula pasma e transferiu seu olhar para dentro, ouvindo bem o som que acelerava como antes de um disparo.
Ele fechou os olhos e trouxe as mãos à cabeça, mas não deixando arrepender-se de seu ato de homicídio ao amor maior que ele, aquele a quem ele não podia mais enfrentar, a quem teve de matar. Ela não teve tempo de chorar ou de correr, não havia para onde ir. Quando o som foi único e agudo, ela fechou as mãos para segurar o susto preemente... e...
O estrondo hediondo urrou furioso
A bomba explodiu o coração e todo o corpo do amor. Ele foi jogado para trás com a força do ar explodido. Caiu de boca na poeira de seu mundo medíocre e fraco. Como um fraco bandido restou deitado. Olhando do chão seu mundo esvaziado, do nível certo que se sabia merecedor, o piso sujo, onde deveria ser pisoteado, enterrado. Mas agora não havia mais ninguém preocupado. Ele estava, enfim, só. Acompanhado e refém apenas de seu próprio medo.

A mandíbula pensa

Ele vai destravar o medo e liberar a fala. Ele está com a grande quantia do dinheiro trabalhado e vai até o consultório. As escadas frias, as paredes estreitas, a porta de vidro. Os homens brancos de luvas e touca estão sabendo que procedimento tomar, a anestesia o acalmará momentâneo. Feltro para proteger do sangue que irá escorrer. O lacrimejar. Há força, força para extrair, para chegar no ponto certo, no osso no caso. Ele nem imagina, ele não vê alternativa melhor para aliviar a dor. Ele precisa livrar a trava, a fala, os pensamentos do bloqueio infantil, o trauma de mamar será mordido. As mãos suadas apertam o ar seguram o pavor num desejo de que o tempo volte, passe, retire dele si mesmo, seus membros, seus ossos, o medo de falar será deglutido.
Agora ele vai poder dizer, xingar, se manifestar. No trânsito, em qualquer lugar. Todos vão entender. Não estará sozinho na cidade, inteiro sabiá. Sílaba por sí la ba a língua verá como a íris de um olho da verdade, a boca se abre e toda a vida se revelará. Ele está salvo. Ainda inchado, desce as escadas com o algodão enxarcado de sangue a saliva na boca. Na rua olha o sol entre as nuvens em feixes, e como um raio de luz querendo passagem, abre a boca admirado: ele agora sorrirá!


Amigos e Imagens III

Presente de Jão...



Presente de Brumno...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Homem que Não vive: Ação UM


Novo espetáculo da Cia. Espaço em BRANCO ja está no forninho !

domingo, 7 de junho de 2009

Mar grita




René Magritte


Para quem? Para mim!
para quem para quem para quem?
para mim para mim!
para quedas? para sim!
para valentine, para Valentin,
John Coltrane, Chet Baker e jazzmim.
Caymi e Tom Jobim.
Para saber-se assim, colibri,
Afrodite, Sissi, Circe e Serafim.
Será sempre sem fim.
Sempre sem fim
filmo, fisgo falso. Cupido de festim.

(03 de junho, Odeon, boa música, e afetos bêbados para quem quer e busca)

::pinturas de René Magritte::